Fundamentados na lógica de que a moda de ontem está ultrapassada e dentro da qual o comprar é sinônimo para o ser e estar no mundo, a tendência é balizarmo-nos pelo mercado consumidor. Nesse caminho, crianças e adolescentes ocupam cada vez mais uma posição paradoxal: são destinatários das novas tecnologias e dos modismos, ao mesmo tempo em que são instruídos a refletir sobre o ser e o ter.
Família e escola, imersas também no contexto de supervalorização das novidades, parecem andar nessa direção, além dos produtos tecnológicos. Constantemente, novos métodos e técnicas de ensino emergem para mostrar como sermos pais e professores antenados. Ficam todos à deriva: famílias perdidas no que tange a como educar, sem saber ao certo se seguem antigas fórmulas ou se abrem espaço para novas receitas. Nas escolas, os profissionais lidam com as dúvidas familiares e tentam empregar métodos que respeitem as mudanças sociais sem deixar de lado a disciplina. Impera assim a dúvida!
Felizmente se uma das estradas aponta para a oferta de produtos e métodos modernos, outra direção nos leva para a persistência na demanda por antigas aspirações humanas, ainda tão valorizadas quanto as novidades das vitrines. A diferença, porém, está calcada sobre o que valorizar. Os hábitos saudáveis, a solidariedade, a não violência e a preservação ambiental são itens cotados na modernidade e disputam espaço no cerne das relações humanas, carecendo de uma reflexão acerca do lugar que ocupam no ranking dos desejos de consumo. O trabalho conjunto entre escola, família e sociedade é um diferencial para lidar com a criança e com o adolescente como sujeitos ativos de sua história, e não como meros consumidores passivos. Se surgem novos produtos, cabe à família e à escola orientar da melhor forma possível, o que implica no diálogo e no conhecimento acerca de tudo o que, no mercado, desperta o interesse de crianças e adolescentes.
Formação e informação são componentes essenciais para a conscientização em relação ao consumo. Por sua essencialidade, os atributos de valor incalculável sempre estarão na moda; os de ontem são os mesmos de hoje e serão os mesmos amanhã. Incentivar o consumo de boas qualidades e de virtudes amplia a possibilidade de que, no futuro, a rotação do mercado possa ser regida por artigos que não foram criados em fábricas, mas que foram cuidadosamente desenvolvidos e valorizados no ambiente familiar e escolar.
