A celebração do Dia Mundial dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, nos convida a uma nova reflexão, pois, desde sua Declaração, há mais de 50 anos, os tempos mudaram muito. Inicialmente, os Direitos Humanos visavam aos direitos da pessoa, do indivíduo, mais tarde incluíram direitos de grupos, direitos da criança, do idoso etc., chegando aos direitos dos povos, das nações. Hoje, a situação de crise internacional ameaça a qualidade de vida de boa parte da população. Os direitos dos seres humanos, no seu conjunto, estão ameaçados. Exige-se uma ação conjunta a partir de uma visão de todos os aspectos econômicos, sociais, culturais e espirituais, para a defesa do direito a uma vida digna de toda a família humana.
O Pontifício Conselho Justiça e paz publicou recentemente uma Nota na intenção de propor e partilhar sua própria reflexão, com o título: Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspectiva de uma autoridade pública com competência universal, na qual analisa as causas da situação atual, suas origens e propõe a criação de um organismo internacional capaz de encaminhar soluções.
O Beato João XXIII, na sua profética encíclica Pacem em terris de 1963, já previa que o mundo caminhava rumo a uma unificação cada vez maior e reconhecia que a comunidade humana não possuía organização mundial capaz de responder às novas exigências do bem comum universal.
O Beato João Paulo II, em 1991, chamava a atenção para o risco de uma idolatria do mercado, que ignora a existência de bens que, por natureza, não são, nem podem ser, simples mercadorias. (Encíclica Centesimos annus n° 34). Mais recentemente, Bento XVI afirmava na sua encíclica social que as raízes da crise não são unicamente de natureza econômica e financeira, mas antes de tudo, de natureza moral e ideológica. A economia necessita da ética para seu funcionamento correto. O Papa identificava também e denunciava uma nova ideologia, a ideologia da tecnocracia, que considera que os problemas são exclusivamente técnicos. Hoje, exige-se a ética da solidariedade (Caritas em veritate n° 45). O pontífice manifesta a necessidade de se constituir uma autoridade política mundial, inspirada pela solidariedade e pela subsidiaridade, para defesa do bem comum universal. (ibidem n° 67).
A Nota do Pontifício Conselho Justiça e paz propõe vários passos, alguns já dados, outros a realizar, neste caminho rumo a concretização de uma autoridade política mundial, e precisa que, nesse processo, é necessário recuperar a primazia do espiritual e da ética e, com eles, a primazia da política – responsável do bem comum- sobre a economia e as finanças.
O documento conclui: A concepção de uma nova sociedade, a construção de novas instituições com vocação e competência universais são uma prerrogativa e um dever para todos, sem distinção alguma. Está em jogo o bem comum da humanidade e seu próprio futuro. Neste contexto, o cristão tem uma chamada especial, pois, como afirma o Concílio Vaticano II, trata-se de uma missão ao mesmo tempo social e espiritual que, na medida em que pode contribuir para ordenar melhor a sociedade humana, é de grande importância para o reino de Deus.(Gaudium e spes n° 39).
