A liturgia da Igreja nos apresentou, na semana passada, duas celebrações para aprofundarmos nossa fé, vivenciarmos a esperança e reforçarmos nosso compromisso com a caridade. Na sexta-feira, dia 2, foi dia de lembrar de nossos mortos queridos. Cada um de nós conhece suas saudades, do tamanho do amor que por eles nutrimos. Esse amor, conjugado no presente, e o Amor de Deus nos dão a certeza de que estão vivos. O amor é sinal da presença de Deus em nós. Um Deus que é um Deus de vivos, não de mortos. Em um dia de ternas recordações, mesmo que vivenciando tristezas das saudades, é tempo de lembrar que a última palavra de Deus não é a morte, mas a ressurreição, na qual Jesus foi o primeiro. E nós cremos na ressurreição.
No domingo seguinte (dia 4), celebramos outro artigo do credo apostólico: a comunhão dos santos (Festa de Todos os Santos). Proclamamos nossa fé nessa comunhão em cada reunião de nossa assembleia, desde as assembleias dos primeiros cristãos. Essa comunhão é que nos dá certeza de que Deus reúne em si, de maneira maravilhosa, todos os cristãos que estão nesse mundo, em todos os cantos da terra e de todos os tempos: os que estão hoje, os que já partiram para o seio da Trindade e até mesmo os que virão.
No tempo em que os primeiros cristãos formularam o credo apostólico, seguindo a admoestação de Jesus (sede santos como vosso Pai é santo), havia o hábito de se autodenominarem santos. A certeza de que Jesus, após a ressurreição, atraía para si todos os que o seguissem, nessa vida e depois que ela cessasse, fez com que assim se formulasse sua fé. As comunidades que seguiam os ensinamentos de Jesus deviam viver e se sentir como um único corpo. Isso trazia exigências, principalmente na prática da partilha, no serviço mútuo, enfim, no exercício radical da caridade, que tinha seu momento mais forte na Fração do Pão e era a identidade do Cristão. Falhar nesse comportamento era grave, como Paulo advertiu aos coríntios: Aquele que come e bebe sem pensar no Corpo, come e bebe a própria condenação (I Cor 11,29).
É esse Corpo imenso e sagrado do qual todos nós fazemos parte que celebramos nessa Festa de Todos os Santos. O exercício radical da caridade e a participação na eucaristia são a forma mais eficaz de celebrarmos essa comunhão e nos permitirão conviver intimamente com todos os cristãos. Que estas festas nos reconfortem, nos alegrem e que pela sua celebração o mundo creia!
