Não é a forma da escolha, mas quem faz a escolha e quem é o escolhido a causa das mazelas de nossa vida pública. Agora mesmo, se discute a reforma política, com mudanças no sistema de eleição, e, por obra e graça de Lula, recrudesce o debate em relação à forma de escolha dos membros dos tribunais superiores. O ex-presidente disse que hoje teria sido mais criterioso na indicação dos nomes de ministros para o Supremo Tribunal Federal, que, em sua composição atual, tem, majoritariamente, indicados dos governos petistas. Lula não explicou que critérios adotou nem quais passaria a adotar.
Não disse também por que faria a mudança, mas, como anda insatisfeito com as posições de alguns de seus no julgamento do mensalão, supõe-se que a mudança de critérios não envolveria competência, mérito, mas sim subordinação e gratidão. Caso típico de que o problema está em quem escolheu e com que propósito escolheu. E também, por que não, de quem aceitou ser escolhido, sabendo das intenções da escolha.
Num outro espaço institucional, o do Legislativo, não é diferente. Vivemos todos, o povo, reclamando dos políticos, acusando-os, indiscriminadamente, de tudo. Só não chamamos de santos e bonitos. Há até os que falam em acabar com o Parlamento, mas, de quatro em quatro anos, estamos lá, como cordeirinhos, reelegendo exatamente aqueles a quem acusamos. Mudar o sistema de escolha para voto distrital, distrital misto, lista aberta, lista fechada ou seja lá o que for não mudará a situação. Estaremos, certamente, reconduzindo as mesmas pessoas por uma forma diferente.
Querem ver, mudem. Mudem também os critérios de escolha de ministros do Executivo, do Judiciário, abandonando os parâmetros políticos, que, em nenhuma hipótese, devem prevalecer sobre a competência e a seriedade. Mudem também nos tribunais estaduais, no Ministério Público, nas agências reguladoras, nas estatais, enfim, em tudo aquilo que é público. Estabeleçam o império da vocação, do mérito e da isenção. Estarão fazendo um enorme bem para o país.
