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Alfabetizar é abrir caminhos para o mundo

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Alfabetizar uma criança é muito mais do que ensiná-la a reconhecer letras, formar sílabas ou registrar palavras no papel. É acompanhar uma das descobertas mais importantes da infância: Perceber que a linguagem escrita pode ser usada para comunicar ideias, imaginar, perguntar, conhecer, sentir, criar e compreender o mundo.

Como professora do 1º ano do Ensino Fundamental, tenho a oportunidade de presenciar diariamente conquistas que, para os adultos, podem parecer pequenas, mas que representam passos enormes para as crianças. O primeiro nome escrito, a descoberta de uma palavra, a leitura de uma frase ou a tentativa de escrever uma história sozinha carregam um significado especial. Aos poucos, aquilo que parecia um código secreto começa a fazer sentido.

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Esse processo, no entanto, não acontece da mesma forma para todos. Cada criança chega à escola com experiências, conhecimentos, curiosidades e necessidades diferentes. Por isso, alfabetizar exige sensibilidade para respeitar ritmos individuais sem perder de vista os objetivos pedagógicos. Exige, também, leveza e encantamento.

É justamente nesse ponto que a literatura ocupa um lugar fundamental. A criança precisa aprender a ler, mas também precisa descobrir por que vale a pena ler. Os livros oferecem essa resposta de forma natural: Permitem viajar sem sair do lugar, conhecer outras realidades, reconhecer sentimentos, desenvolver a imaginação e encontrar novas maneiras de compreender a si mesma e o outro.

Minha experiência como escritora de literatura infantil também influencia profundamente minha atuação em sala de aula. Quando as crianças entendem que as histórias nascem de ideias, experiências, sentimentos e imaginação, a literatura deixa de ser algo distante. Elas começam a perceber que também podem criar, escrever e contar suas próprias histórias.

Por isso, procuro olhar para as primeiras produções textuais para além do erro ortográfico. Antes da correção, existe uma intenção, um pensamento sendo organizado, uma narrativa querendo ganhar forma. Valorizar esse movimento é também incentivar a confiança necessária para continuar aprendendo.

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Projetos como o Apogeu Literário fortalecem esse vínculo ao aproximar os estudantes de livros, escritores e ilustradores, inclusive autores da própria cidade. Conhecer quem escreve, conversar sobre uma obra e receber um livro autografado transforma a leitura em memória, afeto e experiência.

Na semana do Dia Mundial da Alfabetização, acredito que vale reforçar esse compromisso: mais do que formar crianças capazes de ler e escrever, precisamos formar leitores curiosos, críticos, criativos e capazes de encontrar nas palavras novas possibilidades de compreender e transformar o mundo.

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* Adriana Gamelas é professora do Ensino Fundamental da Rede de Ensino Apogeu e escritora de literatura infantil.

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