Em relação ao jogo de futebol entre as equipes do Tupi e Aparecidense de Goiânia, ocorrido no último sábado, dia 7 de setembro, no Estádio Municipal Mário Helênio, no qual, aos 44 minutos do segundo tempo, quando o placar era de 2 a 2, um membro da comissão técnica da equipe de Goiás invadiu o campo e defendeu em cima da linha de gol uma bola chutada pelo atacante do Tupi Ademilson, salvando uma clara ocasião de gol da equipe carijó, alguns fatos podem ter passado despercebidos, no entanto, devem ser ressaltados e registrados.
Logo após o ocorrido, quando desencadeou-se a revolta dos torcedores do Tupi, alguns conseguiram romper o portão ao lado do vestiário da equipe juiz-forana e invadiram o campo. Neste momento, pensei que uma tragédia estava prestes a se iniciar, pois o clima de revolta era muito pesado, e que estes torcedores, envolvidos por um sentimento de injustiça, poderiam agredir membros da equipe de arbitragem e da equipe da Aparecidense. Na hora, percebi, mesmo de longe, algumas pessoas, entre elas profissionais do Tupi, gesticulando e tentando impedir a invasão. Por competência dessas pessoas, os invasores retornaram à arquibancada e ali continuaram suas manifestações contra o ato imoral da equipe goiana.
Outro fato que merece reconhecimento de liderança, no qual a razão não deixou de ser prejudicada pela emoção, foi a equipe carijó ter aceitado a decisão do árbitro e retornado ao jogo, terminando o confronto de maneira digna. O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, ao analisar os fatos, não poderá, em momento algum, ser influenciado em sua decisão por mau comportamento esportivo do Tupi.
Percebeu-se também que alguns membros da comissão técnica do Tupi estavam chorando. Talvez muitos não saibam da situação profissional vivida por essas pessoas nos últimos meses. Conforme divulgado pela imprensa, o clube de Santa Terezinha teve a energia elétrica cortada, limitando a estrutura de trabalho, e está com os salários atrasados. Treinar uma equipe com limitações estruturais e sem a certeza de que irá receber seus rendimentos ao final do mês e, mesmo assim, conseguir motivar os atletas e fazê-los atuar dignamente é motivo de reconhecimento por todos torcedores do Carijó. Depois de tanto sacrifício, essa equipe foi prejudicada por um ato insano.
Questão interessante a ser analisada com este fato ocorrido no jogo de sábado passado é o discurso daqueles jogadores que levam a religião para dentro do campo, se postam como indivíduos éticos, com comportamento pautado na palavra divina. Olha, aqueles atletas da equipe de Goiás, que se utilizaram deste discurso em entrevistas antes e durante o jogo, deveriam ter muita vergonha neste momento. Que crença é essa que, na prática, se utiliza de meios que prejudicam o próximo, que atuou dentro dos princípios da ética e da moral?
No mais, acho que a equipe goiana deve ser eliminada da competição, pois, caso isso não aconteça, abrirá jurisprudência para que todas as equipes do Brasil escalem membros de suas comissões técnicas para ficarem atrás de seus gols, e, quando a bola for entrar, eles invadam o campo, chutem a bola, impedindo que ela entre, e, posteriormente, saiam correndo para seu vestiário.
