Não podemos, de modo algum, dizer que o nascimento de uma criança funda uma família, e nem que a falta de educação fez triunfar a nulidade deste instituto do lar. Porém, a desonra e a injustiça acometem a sociedade de uma grande doença, atingindo um povo que não acredita na cura, não quer a punição, mas não batalha para o desenvolvimento da recuperação dos não afortunados instalados nas prisões.
As veias abertas do Brasil foram demonstradas nos livros 1808 e 1822 (Laurentino Gomes). Ninguém se conforma com o fato de se ter notícia de assalto e assassinato na sua rua, jovens de 25 anos morrendo por bala e faca em diversos pontos da cidade e do país, sendo que dificilmente serão encontrados seus algozes, e os que forem capturados em pouco mais de três anos estarão em regime semiaberto ou escancarado, se tiverem o indulto da data natalina.
As escolas têm milhares de professores, e não é exigido curso superior com mestrado e doutorado para se ministrar aulas em fundamental. Os que estudam profundamente passam a fazer parte do seleto grupo burocrático e a ditar normas de como promover o aluno.
Os presídios são calabouços que não reúnem profissionais para reeducar, mesmo porque não se educou, e o termo reeducar passa a ter conotação de piada. Como um país pode ter uma filosofia doutrinária de liberdade na execução penal se é libertino com a educação? Só o conhecimento e o saber libertariam o cidadão para o trabalho em sociedade. E se o ensino não é valorizado na escola, como seria dentro de um presídio? Não podemos admitir que quase metade da população universitária seja analfabeta funcional. Não podemos admitir que apenas duas universidades brasileiras estejam no ranking das cem melhores do mundo e que o ensino brasileiro ocupe, em termos de qualidade, o penúltimo lugar do planeta.
O avanço das instituições está em qual direção e sentido? Admitir que melhoramos nestes últimos 20 anos é desonrar o modus operandi de se aprimorar professores que tínhamos no Colégio de Aplicação João XXIII da UFJF, onde estudei entre 1973 e 1976, com ingresso por um vestibulinho. Da FaFiLe ao Campus e rumo à Escola de Engenharia, os alunos, muito antes de aprenderem, transformavam-se em professores na oitava série ginasial. Então, quantidade de acesso ao ensino não tem relação qualquer com qualidade, porque o atraso e o prejuízo que são trazidos a quem quer saber são incomensuráveis e, às vezes, irremediáveis para toda a sociedade.
