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Pela reforma política

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A cada movimento no tabuleiro político, vamos confirmando a tese de que, antes de qualquer outra, precisamos fazer uma reforma política ampla, que corrija absurdos de nossa legislação eleitoral, aberrações dos regimentos de nossos legislativos e atrasos de nossa vida política. No entanto, a verdade é que a classe política não quer fazer a reforma política tão necessária quanto tantas outras.

Somos, sim, uma das maiores democracias do mundo e temos um dos mais perfeitos, se não for o mais perfeito, sistemas de votação e apuração do mundo, praticamente imunes a fraudes. Somos capazes de identificar, pela tecnologia das urnas, o pensamento e o desejo do cidadão eleitor. Não conseguimos, ainda, e disto estamos distantes, é dar qualidade a esta representação.

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A cada eleição, vê-se que há um distanciamento da atividade partidária dos bons. Sobram espaços para os aproveitadores que ainda são beneficiados por uma legislação absurda, que permite e até patrocina toda sorte de acordos e achegos que, permitam-me a rudeza do termo, chegam a ser nojentos.

Essa manifestação da senadora Marta Suplicy, e tudo que envolve o caso, tem quase todos os ingredientes da forma abjeta como se faz política entre nós. Eleita senadora com milhões de votos, para um mandato de oito anos, ela decidiu que queria disputar o cargo de prefeita de São Paulo. Não cumpriu ainda 25% de seu mandato. Acabou preterida. Em seu lugar, entrou um apadrinhado de Lula, sem qualquer experiência de urna, mas cuja vitória sobre Serra seria, nada mais, nada menos, que uma humilhação que o ex-presidente pretende ainda impor a seu desafeto tucano. Marta se magoou, disse que não participaria da campanha, fez biquinho e tal. E, realmente, ficou de fora. Até ser convocada com urgência, pois Lula, muito mais do que o afilhado Fernando Haddad, dá sinais de que está naufragando na disputa da Pauliceia desvairada. Marta, primeiro, abandona aquilo que parecia ser uma postura ética e entra na campanha, na companhia de todos que dizia abominar. Depois, abandona seus eleitores, licenciando-se do mandato para assumir o Ministério da Cultura. Que me perdoe a ministra e todos os demais envolvidos na escolha, mas, para todos nós, comuns mortais, ficou a impressão de um pagamento.

O pior é que Marta entregou a vaga no Senado a um suplente, Antônio Carlos Rodrigues, filiado ao PR, que em tudo pensa diferentemente dela. É evangélico e contrário à união homossexual, ou seja, tudo que é bandeira política da ministra que, certamente, lhe rendeu milhões de votos, o que quer dizer todos. Entrega a representação de uma multidão que se identificou com suas propostas a alguém que combate todas elas. O eleitor de Marta comprou laranja e está levando abacaxi. Para completar, a senadora quer ficar com todos os cargos de seu gabinete. Aí já é falta total de ética.

O caso Marta é emblemático, mas há centenas de outros por aí do mesmo nível. E imperiosa a reforma política. Acabar com o suplente de senador, então, nem se diga. Minas está aí para provar. Perdemos dois senadores, Eliseu Resende e Itamar Franco. Em seus lugares, estão dois suplentes que, nem de longe, honram as tradições políticas mineiras. De três, temos apenas um senador eleito pelo voto. Dois são caronas.

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