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Pagou, levou

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Pouco distante das eleições municipais, alianças já se anunciam, e possíveis candidatos são apresentados à população, o que não é de se espantar, visto que vivemos em uma democracia e nela é de direito dos cidadãos exercerem a escolha de seus representantes, mesmo que isso seja uma única vez a cada dois anos.

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Não é segredo que os altos custos das gigantescas campanhas eleitorais ultrapassam a casa das centenas de milhões de reais, o que, a propósito, é considerado normal para se ganhar uma eleição. Afinal, santinhos, comícios e programas de televisão bem elaborados e convincentes não surgem do nada.

Em entrevista ao programa Agora é tarde, comandado por Danilo Gentili na rede Bandeirantes de televisão, na última quinta-feira, uma das atrações era a entrevista com a sexy simbol e cantora Renata Frisson, comumente conhecida como Mulher Melão. Durante a entrevista, o apresentador, ao questionar sua convidada sobre sua rápida experiência como candidata a deputada estadual nas eleições de 2010 e se ela se interessava em sair novamente como candidata, recebeu uma resposta não bem estruturada, porém clara, objetiva e sem rodeios de que, para concorrer ao pleito, era necessário … dinheiro investido para andar o estado todo com equipe, matérias…. A entrevistada verbalizou que não possuía condições para investir em sua candidatura, o que foi memorável, salve a exceção, por ter tocado na ferida que há tempos sangra e não se vê.

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Desde a antiguidade, passando pelo coronelismo brasileiro, apenas concorriam a representantes da população aqueles que bens ou renda possuíam, salve também algumas exceções, mesmo se sabendo quem iria vencer, e nada de tão diferente ocorre hoje. Os grandes partidos com maior número de correligionários compondo suas coligações são os que certamente ganham mais tempo no horário eleitoral e são estes grandes grupos que dizem representar a população e que recebem grandes quantias de empresários e multinacionais.

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Renegar a influência da publicidade na decisão dos eleitores é como dar murro em ponta de faca. A mídia, com sua longa capacidade de alcance, penetra nos lares da população com vinhetas rapidamente decoráveis e lindas imagens, frutos do trabalho do conhecido marketeiro eleitoral.

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Mulher Melão, o perfil típico das brasileiras, capaz de carregar multidões por onde passa, recebeu apenas 1.631 votos. A questão é se ela tivesse um orçamento não tão grande como o da campanha dos nove candidatos a presidentes do país, que juntos somam a quantia de R$ 463 milhões, teria ganhado as eleições, ou ao menos recebido uma quantidade considerável de votos? Com um bom capital, maior aparição nas mídias, grandes comitês espalhados por diversas cidades do estado de São Paulo para não faltar santinhos, teria ela sido eleita?

Serão as eleições democráticas um jogo de cartas marcadas, onde quem paga leva?

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