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Que legado olímpico?

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Falta um ano. Mais de dez mil atletas, mais de 200 países, mais de 40 modalidades esportivas, mais de 120 mil turistas por dia… Enfim, mais, mais, “mais do mesmo”, diria o poeta. Mais do mesmo discurso realizado nas prévias da Copa de 2014 e do mesmo discurso prometido em tantos países que sediaram outras edições dos Jogos Olímpicos.

O Governo brasileiro havia prometido que a Copa contribuiria para a geração de renda e emprego, impulsionando a economia e deixando um legado ao país. Que legado? Na prática, ao menos o efeito de curto prazo da Copa parece ter sido o contrário, pois o próprio Governo sustenta que a queda de 0,6% do PIB no ano de 2014 ocorreu devido ao Mundial de futebol.

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Se vivemos a expectativa de um 2016 ainda mais conturbado economicamente, devemos estar otimistas com as Olimpíadas no Rio? Emoções, vibrações, beleza atlética, experiência estética, glória, entretenimento, infraestrutura (local)… De fato, estes são motivos de alegria para os brasileiros (cariocas da Zona Sul), pois os jogos refletem um momento de celebração do esporte. Mas a que custo?

Bom, fontes informam que já chegamos às cifras de R$ 38 bilhões, e as águas da baía sequer foram despoluídas; e, ainda que o Governo se mostre convicto do sucesso, muitos especialistas estão céticos. Ora, o próprio tempo de duração dos jogos é menor que o da Copa. Assim, como geraria impacto econômico positivo? Para além disso, os pontos reais que estimulam investimentos externos são o crescimento econômico, os baixos índices de violência e o cumprimento de regras no país… O Brasil pode ostentar isso?

Mas se não é bom, por que então o Rio se candidatou? Elementar: na luta por recursos federais para obras de infraestrutura, as Olimpíadas passam a ser forte argumento. Agregue-se que a candidatura inflou a geração de postos de trabalho, sendo muitos deles temporários. O fato é que todos pagamos, mais uma vez (e caro), por algo que apenas uma minoria desfrutará. Seria demais lembrar o Pan de 2007? E o legado? E nem estou considerando aqui as desapropriações de moradias.

Por fim, é do velho discurso de “olimpismo” que os governantes se apropriam (e, observem, alguns nem prometem impacto econômico). Em geral, são falas assim traduzidas: “O Brasil está no caminho de se tornar a potência olímpica que nós tanto queremos”. Só falta agora eles explicarem ao público que “nós” é esse. Enquanto um cidadão que paga impostos, ninguém me perguntou nada. Particularmente, prefiro os bilhões em escolas e universidades de excelência do que sucateamento e greves, pois assim teríamos um verdadeiro legado, inclusive o esportivo. E a você, caro leitor, pediram sua opinião?

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