Recentemente, completei mais uma primavera – metáfora antiquada que, no meu caso e de meus companheiros de estação, pode ser adaptada para completei mais um inverno. Na era cibernética, ainda recebemos alguns telefonemas, mas o famoso parabéns, felicidades! agora vem online. Passamos o dia todo descansando, comemorando, o que for; mas, à noite, basta dar uma boa olhada nas redes sociais, e lá estão as dezenas de recados de congratulações por mais um ano vivido.
Na adolescência, o fervor e a ansiedade por este momento predominavam. Agora, com o passar do tempo, vamos repensando o verdadeiro sentido de um simples telefonema. Atualmente, é indiscutível a forte presença das redes sociais em nossas vidas, mas, como tudo que é demais, nossa participação nesse mundo, em que os relacionamentos se dão através do www e das mensagens inbox, deve ser repensada, analisada.
Quanto vale uma mensagem online perante uma mensagem no telefone celular, à qual somente destinatário e remetente têm acesso, sem publicar seu conteúdo? Quanto valem duas linhas de simpatia – ou obrigação, já que as redes sociais funcionam também como agenda, lembrando-nos datas que esquecemos de anotar no mundo material – diante de um bom e velho telefonema, mesmo um dos mais rápidos?
Hoje, a imaterialidade das relações predomina – até no caso daquelas iniciadas há anos, com afeto e conhecimento presente. O mundo virtual veio depois, e a transposição dos relacionamentos para essa plataforma, também. Perde-se a vontade do contato físico, de se ouvir a voz do outro. O calor de uma fala, por enquanto, não pode ser emitido em uma mensagem fria na internet. Por mais exclamações que sejam usadas, o sentido, quem dá, é o leitor. E muitos leitores e usuários de hoje procuram algo mais presente, mais vivo – um pouquinho mais de afeto.
