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Família

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Muito me preocupa o futuro de meus filhos adolescentes. Acompanho diariamente as notícias dos jornais e da TV, além de estar ligada à internet, e confesso que, a cada dia que passa, parece ganhar força uma triste inversão de valores.

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O errado agora é certo, é o que vira notícia, que dá ibope e o que bomba na internet. Com certeza, muitos compartilham essa minha aflição, mas onde realmente está o centro do problema, ou, quem sabe, onde estará a solução? É culpa do Poder Público, da Igreja, da escola, da sociedade como um todo ou é responsabilidade da família enquanto primeira referência do indivíduo na sua formação como cidadão?

A família se perdeu nos muitos avanços tecnológicos e na luta pela sobrevivência. Aos pais não resta mais tempo para o convívio com os filhos; os filhos preferem contatos virtuais; os amigos só se encontram no MSN; pessoas só se esbarram vez ou outra.

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Onde está a família, não quando seu filho sofre bullying na escola, mas quando ele é o autor da agressão? Onde está a família quando jovens abandonam seus filhos em lixeiras? Onde está a família que não chama à razão o político corruptível, o médico que negligencia, o professor que nega conhecimento, o motorista que atropela, o cidadão que desrespeita o direito do outro, mas exige que o seu seja respeitado?

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Todos nós começamos a vida em sociedade na família. Ela é o começo de tudo, do amor, do respeito, do perdão, da distinção entre o certo e o errado, entre o dever e o direito. Parece piegas e injusto chamar à família a responsabilidade que lhe cabe, mas, afinal, vamos ou não vamos assumir as rédeas de nossas vidas e parar de culpar os outros pelas nossas escolhas, no caso, de sermos pais e mães?

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Com toda certeza, aqui assumo minha parcela de culpa, não é fácil conciliar razão e emoção, ainda mais quando se trata de nossos filhos, mas, se não o fizermos, quem o fará?

São tantas as violências, contradições e injustiças que presenciamos no dia a dia que é difícil educar os filhos como cidadãos. Aquela história de levar um tapa e dar a outra face não serve mais como ensinamento.

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Então, o que nos resta? Na minha casa, temos uma lei: não faça ao outro o que não quer que lhe façam. Não sei se basta, mas confio que, agindo assim, poderemos ter esperança de uma família unida, solidária e comprometida, um com o bem do outro.

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