Bolas da vez, Hugo Valente e João Tito Vianna, alunos do curso de engenharia elétrica da UFJF, aplicando inteligência sobre o conhecimento recebido, tiveram uma ideia inovadora. O economista tcheco Joseph Schumpeter foi um entusiasta por excelência da inovação enquanto promotora do desenvolvimento, ressaltando seu potencial de revigorar as estruturas produtivas do mercado. No âmbito público, o aplicativo criado pelos acadêmicos citados permite uma avaliação imediata de um serviço prestado ao público interno, o RU, e acaba por abrir uma perspectiva mais geral.
O aplicativo RU APP desenvolve a ideia de transformar o cliente do RU/UFJF em fiscal imediato da qualidade da refeição oferecida, um serviço na forma descrita pela matéria (Estudantes criam aplicativo para avaliar refeições do RU, publicada neste jornal, no último dia 3). Interessa nesse escrito ressaltar que, desde o ano de 1995, o Estado brasileiro adquiriu, do ponto de vista institucional, perfil gerencial, em que os contribuintes, seus clientes, têm a prerrogativa de aferir e cobrar a eficiência e a excelência dos serviços oferecidos.
Da teoria à prática, entretanto, o exercício da cidadania perde-se na falta de mecanismos adaptados e vontade política para tanto. É aí que a utilidade do invento ganha potencial de escala, ainda mais quando associada a outros suportes além do Android, como prometeram os acadêmicos. Afinal, saber o sabor do que está sendo oferecido pela instância pública expõe o amargo e o doce da relação contribuintes-Estado e permite, como se diz, acertar o tempero.
A própria instituição, nessa perspectiva, teria muito a ganhar ao replicar a ideia para todo o âmbito interno, dando o exemplo à comunidade, ao estender o serviço, com as adaptações necessárias, a alunos, professores, funcionários e ao público em geral. Ao receber uma aula, um atendimento, um serviço qualquer, o receptor, caso queira, acionaria o aplicativo e declinaria sua avaliação. Sabor e saber são palavras que têm a mesma raiz latina, derivada da experimentação do gosto.
