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A sociedade que não prioriza o estudo e a inteligência

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Vivemos um tempo em que a facilidade de acesso à informação não gerou maior sabedoria, mas, paradoxalmente, alimentou a ilusão de que tudo se equivale. O estudo deixou de ser prioridade, e a inteligência, entendida como capacidade de refletir criticamente, foi trocada pela pressa em emitir opiniões. Nesse contexto, o relativismo tornou-se uma marca cultural: cada ideia é validada apenas pelo gosto pessoal ou pelo “direito de opinar”, como se a simples emissão de palavras tivesse o mesmo peso que a busca séria pela verdade.

Essa lógica foi bem diagnosticada por Hannah Arendt quando advertiu que a crise da autoridade e da tradição abriria espaço para a banalização da verdade. Ao negar a existência de fundamentos comuns, o relativismo mina a possibilidade de diálogo real, pois se não há um horizonte compartilhado de sentido, cada um se encerra em sua própria bolha. Zygmunt Bauman afirma que a modernidade líquida dissolve tudo o que é sólido, inclusive a responsabilidade de pensar com profundidade. Desta maneira o relativismo se encaixa, pois, se nada é permanente, se tudo pode ser reinterpretado a gosto, não há compromisso nem com a verdade nem com o outro.

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O resultado é uma educação superficial, que não forma cidadãos críticos, mas consumidores de opiniões instantâneas. Se tudo é relativo, nada precisa ser revisto, nada precisa ser aprofundado. É a vitória da preguiça intelectual. O preço dessa mentalidade é alto. Uma sociedade que não prioriza o estudo e a inteligência condena-se à estagnação. Quando a verdade deixa de ser buscada, a educação perde sua dimensão formativa e ética.

Sendo assim, se quisermos resistir a essa lógica, precisamos recuperar a consciência de que o conhecimento exige esforço, humildade e compromisso com a verdade. Estudar não é acumular dados, mas exercitar a coragem de rever convicções, de questionar simplificações e de enfrentar a complexidade da realidade. A inteligência floresce quando reconhecemos que nem tudo é relativo e que existem fundamentos éticos, humanos e racionais que precisam ser preservados. Sem essa base, seremos apenas uma sociedade fragmentada, prisioneira da ignorância confortável e incapaz de construir um futuro digno para as novas gerações.

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