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Jesus e João

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É desagradável ver como as cidades brasileiras, com raras exceções, estão sendo degradadas também no aspecto habitacional. Aqui, por exemplo, a atual onda de crescimento trouxe às ruas uma enxurrada de construções de péssimo gosto arquitetônico e qualidade seriamente questionável. Em qualquer rua, é erguido um edifício para centenas de famílias, sem se levar em conta a infraestrutura mínima local. O resultado tem contribuído para o caos urbano. Todos desejamos residir em um local digno. É o certo, é o correto, é de direito. Mas as políticas públicas veem isso como instrumento eleitoral, assim, partiram para a construção de conjuntos habitacionais onde milhares de seres humanos são apinhados, distantes de tudo, perto apenas de si mesmo.

Pessoas que jamais se viram, sem qualquer relacionamento anterior, apenas passam de uma hora para outra a morar próximas, sem qualquer nível emocional de convivência. É apenas um local inventado, sem história nem vínculo. De fato, ninguém até o momento pertence àquele lugar, e o resultado é o que já vemos em outros centros urbanos: mais e mais problemas sociais e violências generalizadas. E, assim, os administradores públicos não se preocupam com as causas das dificuldades e nem sabem cuidar das consequências. Enquanto a população sofre, e o sofrimento nos traz dores e descrenças, assim será por quanto o egoísmo for a base das administrações. Descrente, o povo segue sua vida, sem muito o que esperar do poder do mundo. E nós, espíritas, já sabemos que o que é do mundo no mundo ficará.

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Francisco Cândido Xavier trouxe dentre muitas uma história narrada por Humberto de Campos, na qual João indagava a Jesus sobre as agruras da vida e os sofrimentos daquele povo miserável e sem perspectiva. Jesus e seu companheiro seguiam para Jericó enquanto se entretinham no diálogo e observavam a paisagem árida onde as poucas árvores eram curtas e retorcidas. Ao longe, viram um homem escavando o solo seco, e Jesus indagou: Amigo, o que fazes?. Busco água, que muito nos falta. A chuva é assim tão escassa?, tornou Jesus. Sim, em Jericó tem sido mais abundante, uma verdadeira graça de Deus.

O homem do campo prosseguiu no seu trabalho exaustivo enquanto Jesus disse, olhando para João: a imagem é pálida, mas, como símbolo, é válida; a paisagem próxima a Jericó pode representar a alma humana, vazia de sentimentos santificadores; o trabalhador simboliza o cristão ativo, escavando junto dos caminhos áridos, com sacrifício, suor e lágrimas, para encontrar o consolo e a luz divina em seu coração; a água que brotou no poço é o símbolo mais perfeito da essência divina. Seja qual for a mais dura realidade mundana, Deus nos é presente assim nos céus como na terra para todo aquele que vencer a si mesmo no bom combate para a evolução moral.

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