Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé (II Timóteo, 4, 7). Essa foi a pauta da vida do engenheiro e professor Renato José Abramo. Durante toda a sua vida profissional, sempre se pautou pelo bom combate, com seu talento, com sua engenhosidade, com sua discordância, que muitas vezes irritava aqueles que mais precisavam dos seus conhecimentos. É como dizia muitas vezes: tento ensiná-los a trabalhar, mas eles são duros para apreender (ou não querem).
Quando problemas sérios ocorriam pela cidade ou região, fossem causados pelas chuvas ou por imprudência no exercício da arte da engenharia, só havia uma solução: chamem o professor Abramo. E lá ia ele combater o seu bom combate para não deixar barrancos desmoronarem ou para segurar estrutura que teimava em ceder. Jamais esmoreceu. Exerceu a engenharia como uma religião, com ética plena; de resto, como todos nós engenheiros deveríamos fazê-lo, eis aí o guardião da fé.
Em nenhum momento se preocupava com qualquer outra coisa a não ser resolver aquilo que era de urgência e necessitava de uma solução célere. E a todos atendia sempre com presteza e amizade, pois dizia: precisam de mim, e eu não posso decepcioná-los.
Há homens que passam pela vida recebendo aplausos, outros, querendo homenagens, mas felizmente para todos nós há aqueles que querem apenas servir; estes são insubstituíveis, e o professor Abramo é um desses poucos.
Algo que gostava muito de fazer era reunir-se com seus amigos de mais de 30 anos de convívio para jogar conversa fora num boteco no Alto dos Passos. Era uma alegria só quando ele chegava, pois ali estava o mestre e seus discípulos. A cidade de Juiz de Fora perde muito, e a engenharia como um todo perde um grande artífice de uma das artes mais antigas da humanidade.
E eis que infelizmente chegou para nós o término de sua corrida, mas sabemos, todos que o conheceram e desfrutaram de sua amizade, que era um engenheiro que construiu sua casa sobre a rocha: e vieram os ventos e as tempestades, e ela continuou firme, sólida e segura. Nossa gloriosa Faculdade de Engenharia muito lhe deve. E como ele costumava dizer: manda a prudência, que eu agora me retiro. Vá em paz, mestre.
