Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), Juiz de Fora possui um déficit de mais de mil novos leitos particulares ou ligados ao SUS. A cidade atende a aproximadamente 95 localidades regionais, abrangendo quase dois milhões de pessoas. Considerando esta variável, o Poder Público está investindo na ampliação dos leitos hospitalares, através da construção do novo Hospital da Zona Norte. Entretanto, tais iniciativas não devem afastar o foco das políticas públicas de saúde do modelo de Atenção Integral à Saúde. Devemos lutar pelo fortalecimento de programas como o Saúde da Família, onde uma equipe médica multidisciplinar acompanha a vida das pessoas, conhecendo seu histórico patológico e orientando hábitos para uma vida saudável.
Um dos países com melhor qualidade de vida entre os desenvolvidos, o Canadá, é um exemplo interessante de sistema público de saúde. O número de leitos por habitantes caiu de 3,9 por mil habitantes, em 1995, para 2,7 por mil habitantes em 2007, segundo OECD Health Data 2009. Eles trabalharam na construção de um modelo de melhoria na atenção à saúde, ampliando atendimentos domiciliares, aumentando a resolutividade do atendimento ambulatorial especializado, hospital-dia, entre outros. O resultado é que hoje a população canadense adoece menos, consequentemente se interna menos nos hospitais.
Na Inglaterra, estudo feito em 1960 por Forsyth concluiu que o número de leitos ofertados será o número de leitos utilizados. Segundo o autor, aumentar o número de leitos hospitalares não melhora necessariamente a saúde das pessoas, mas motiva a internação, elevando os gastos públicos.
Se, por um lado, o novo Hospital da Zona Norte servirá para desafogar a necessidade de leitos hospitalares da região, por outro ele poderá aprofundar a saúde pública de nossa cidade num modelo oneroso e em desuso nos países desenvolvidos. Esta opção pelo investimento na medicina verticalizada possui um viés perigoso, pois a medicina curativa depende cada vez mais da alta tecnologia, que no caso da saúde, invariavelmente, acaba aumentando os custos dos tratamentos.
Não obstante os benefícios que este novo hospital trará ao povo da Zona da Mata, precisamos ter ciência de que não se constrói índices elevados de qualidade de vida através de grandes obras. Precisamos de um modelo de saúde que transforme a vida das pessoas, e para isso seria bem mais revolucionário estender o programa Saúde da Família a todas as famílias juiz-foranas, criando várias unidades de atendimento pela cidade, a exemplo do que ocorre em Cuba, um país bem mais pobre que o Brasil, mas que possui uma saúde pública universal, eficiente e barata.
