A cada ano, no mês de agosto, a Igreja nos convida a refletir e orar pelas vocações. Quando se fala em vocações, o que primeiro nos vêm à mente são as vocações sacerdotais e religiosas. E elas são preciosas para nós, que sobre elas devemos refletir e por elas orar. Mas é fundamental que façamos periódicas revisões de nossa vocação e missão como leigos. Sim, nós também fomos chamados por Deus. No momento do nosso batismo, Deus nos chamou pelo nosso nome e nos confiou uma missão. Pelo batismo, somos todos inseridos no Cristo e chamados a viver com intensidade o tríplice múnus de Jesus: Sacerdote, Profeta e Rei, como todos os cristãos, inclusive os presbíteros, bispos e religiosos. Todos temos a missão de tornar sagradas as coisas e as realidades do mundo (função sacerdotal), de anunciar o Reino de Deus , denunciando as estruturas de pecado que atrapalham a sua concretização (função profética), e zelar, plenos de caridade, por todos os nossos irmãos e irmãs, principalmente os mais pobres, frágeis e desvalidos (função real).
Mas nós leigos vivemos em uma realidade onde frequentemente nossos irmãos da hierarquia e da vida religiosa não penetram, aquilo que o magistério da Igreja chama genericamente de o mundo: nós vivemos nas famílias, no mundo do trabalho, participamos de associações, sindicatos, no mundo da política, enfim, temos uma capilaridade que nos permite e impõe ser presença do Evangelho. É aí que temos que cumprir nosso mandato missionário.
Nós sabemos de antemão que, nos nossos tempos, esse mundo não está disposto a ouvir pregações. Se as fizermos com frequência, muitos se afastariam de nós. Com certa razão: todos têm ouvido reiterados discursos que não encontram respaldo nas vidas das pessoas que os proferem.
Decorre disso uma característica toda especial de que deve se revestir nosso apostolado: deve ser um apostolado feito de testemunho, devemos fazer com que nossas atitudes na família, nossa conduta profissional, nossa participação em associações e na política sejam impregnadas de justiça e equidade. Todos os nossos atos devem ser guiados por uma caridade radical. Agindo assim faremos com que o Evangelho que nos ilumina brilhe como o sol. E o que é mais importante: o rosto de cada pessoa que servirmos resplandecerá a dignidade de filhos e filhas de Deus. O Reino ficará mais perto de sua plenitude, e estaremos cumprindo a missão a que fomos chamados.
