A Constituição da República de 1988, também conhecida como a Constituição Cidadã, estabelece, já no Artigo Primeiro, que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente […]. Este artigo, para além de concretizar o ideal democrático de que tanto nos orgulhamos e lutamos, realça um aspecto essencial da cidadania, infelizmente muitas vezes esquecido: os representantes que elegemos não são os únicos responsáveis pela construção de um país mais justo e solidário. Nós, o povo, temos deveres que vão além da obrigação de comparecer diante das urnas a cada dois anos.
A reportagem de capa da Tribuna do dia 19 de abril, que destacou o número inadequado de agentes para a fiscalização de infrações de trânsito, abordou uma questão que toma proporções maiores a cada dia. Não restam dúvidas: à medida que o movimento de veículos aumenta em intensidade e em número, surge uma responsabilidade cada vez maior da parte da administração municipal em prezar pela boa circulação da frota juiz-forana. Devemos, sim, exigir ações eficazes e estar atentos à sua execução.
No entanto, a solução dos problemas de uma cidade como a nossa, como qualquer outra cidade em nosso país, também passa pela tomada de consciência e pelo exercício dos nossos deveres. Ser cidadão não se resume ao fato de exigirmos das autoridades públicas a observância dos direitos civis, políticos e sociais. O respeito ao espaço público, que a todos pertence, demanda esforço, colaboração e ação de cada um.
Agir como se as vias públicas fossem propriedade privada e ainda exigir dos poderes públicos uma resposta ao problema para o qual inconscientemente – ou conscientemente – contribuímos resultam em péssimo exercício da cidadania. Conviver dignamente com o próximo nas vias públicas somente é possível a partir da aceitação da importância de nosso papel ativo na comunidade.
Os direitos que tanto cobramos e que aprendemos a reivindicar não fazem sentido se não forem acompanhados da prática permanente dos deveres que os completam. Seja no trânsito, seja nos parques municipais ou em qualquer outro espaço coletivo, a sociedade que almejamos edificar será o espelho de nossas ações. O exemplo também parte de nós, titulares da cidadania.
