Passados os dias de relembrança do martírio imposto pelo homem a Jesus, deixamos de lado as lamentações para buscar o Divino Mestre em toda a sua essência, como está disposto no Evangelho Segundo o Espiritismo. Ali encontraremos o Consolador Prometido (João 14:16-18), à espera daqueles ansiosos por seu amor. As palavras do Mestre de Nazaré preenchem todas as lacunas existentes em nossas almas. Eu não vim para os sãos, disse ele, vim para os que sofrem e clamam por justiça.
Para encontrá-lo, não bastam a leitura e o conhecimento das letras. É necessário ter olhos de ver e ouvidos de ouvir. Estar além da materialidade do mundo de aparências passageiras, ver com os olhos da alma todas as belezas expostas ao derredor, abrir corpo e espírito no sentido da vivência religiosa desvinculada das celebrações. Fazer do coração sentimento, o altar vivo do Evangelho praticando suas lições a cada instante de nossa rotina. Disciplina é a palavra-chave para nosso entendimento do que é o Cristianismo em toda a essência, em suas lições de ordem espiritual a serem aplicadas na vida cotidiana. Meu fardo é leve, e meu jugo, suave, ensina o Jovem Carpinteiro, dando sentido e orientação de que não há condenação eterna e nem dor que não seja curada. Tudo nos é dado na justa medida de nossa capacidade para suportar não a dor em si, mas o fardo do exercício necessário para a caminhada no sentido do progresso.
Se a humanidade em seu tempo escolheu o assassino Barrabás, em detrimento da bondade e do amor do Cristo, ela, humanidade, optou pelo mal. Então passamos pelas consequências – para toda ação há sempre uma reação de igual intensidade. É a lei de causa e efeito. Se existe algum tipo de sofrimento em nossa vida é porque, indubitavelmente, em algum tempo e lugar, causamos a alguém uma dor. E, prestando atenção nas atitudes tomadas pela sociedade, quase como um todo, vemos que muitos dos nossos ainda optam por Barrabás.
Deixando as dores de lado, vendo a realidade verdadeira de nossas vidas, aprendemos com Jesus a dar o devido mérito às coisas espirituais. Para isso é necessário uma preparação íntima. Olhos de ver e ouvidos de ouvir.
Somos espíritos encarnados, passando por uma curta romagem na vida material com o objetivo de aprender e exemplificar as mensagens semeadas pelo Deus do amor e do perdão nos tempos idos. Se os tempos passaram, a verdade é presente, viva e atuante em nossas emoções.
Mitos, assombrações e medos fazem parte de um passado do homem rude e tosco.
Jesus nos trouxe o homem espiritual, de vida eterna que caminha na direção do Pai na justa medida de seu esforço para a melhoria.
Finda a jornada terrena, ninguém perguntará o que foi, que cargo ocupou, mas sim de quantos enxugou lágrimas e quantos acalentou. Por isso, ao aprendiz cabe deixar de lado o passado faltoso e seguir com passos firmes a Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
