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Klose e Joaquim Barbosa

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O jogador alemão Miroslave Klose, do Lazio, de Roma, em partida recente e importante contra o Nápoles, pela Série A do campeonato italiano, foi acusado pelos adversários de ter feito gol com a mão. Perante a decisão do juiz, que não tinha visto, de confirmar o gol, Miroslave Klose aproximou-se do grupo de jogadores adversários que cercava e discutia com o juiz e acabou com a confusão. Sabem como? Cheio de dignidade e coragem. declarou-se, em alto e bom som, culpado, confessando para todos que fizera o gol com a mão. E foi cumprimentado e festejado pelo juiz e pelos adversários, ainda que não pelos colegas de clube…

Querem fair-play mais legítimo do que a autoacusação de um erro, assumindo, pela própria consciência, o perdão da falta, mesmo que se submetendo à punição da justiça dos homens, sempre falha? Por falar nisso, a partir desse admirável exemplo de isenção, coragem e autocrítica, nesse momento de mensalão, em que relator acusa e revisor defende, que tal se os reais culpados se declarassem, em mea culpa pela consciência, ser os verdadeiros responsáveis por tudo que ocorre sob os olhos perplexos de seus concidadãos, traídos e mal pagos? É pagar para ver! Quem se habilita? E vai ser, garanto, a melhor propaganda para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016! Quem viver verá!

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Estava eu, há muitos anos, como research-scholar na Universidade do Sul da Flórida, quando, numa viagem que fazia entre os hospitais de Tampa e San Petersburgh, o colega americano que dirigia o carro, quando lhe perguntei a quem pertenciam as ricas propriedades, com mansões, plantações, animais, que eu via, deslumbrado, surpreendeu-me com a resposta de que tinham sido do ex-administrador público da região. Curioso, perguntei-lhe para quem tinha vendido. Ele, rindo, me respondeu: para ninguém. Mais curioso, perguntei-lhe: ninguém? E ele, surpreso, apenas disse: o Governo, por sua justiça, condenou-o, por improbidade e estelionato no exercício de suas funções públicas, e tomou-lhe tudo. Ainda curioso, inquiri-lhe: e hoje ele está pobre? Sério, dentro do american way of life, disse-me: está enjaulado, condenado a 30 anos de prisão, aqui mesmo. Hoje, com o caso do mensalão, fico pensando: com Joaquim Barbosa chegaremos lá?

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