As luzes amarelas acesas com a divulgação da estagnação do crescimento econômico no terceiro trimestre iluminam também a convicção sobre a escassez científica das previsões feitas pelo mercado. A deterioração da economia mundial tem seu papel no mau desempenho da economia, mas o crescimento zero é uma consequência direta daquelas medidas, como reconhecem o próprio ministro Guido Mantega, a Fiesp e inclusive analistas que fizeram parte daquele coro alarmista. Um dos diretores da RC Consultores, Fabio Silveira, disse aos jornais ter havido um excesso de preocupação com relação à inflação e agora mergulharemos num crescimento negativo desnecessário no quarto trimestre por conta disso.
Contra eles vai se fortalecendo o reconhecimento da formação de uma nova aliança, o pacto pelo desenvolvimento, unindo trabalhadores, Governo e empresários produtivos. Ela exige a superação dos últimos traços da política econômica neoliberal para destravar os recursos para o crescimento econômico, fortalecer o mercado interno e manter e aprofundar o país no rumo do desenvolvimento baseado em suas próprias forças.
A política econômica dessa nova aliança implica no desmantelamento do tripé que favorece a especulação financeira e quer baixar radicalmente os juros, abandonar o câmbio flutuante que desfavorece o comércio externo brasileiro, e reduzir ou eliminar o superávit primário destinado ao pagamento dos juros da especulação.
Hoje, quando o vendaval se anuncia com muito maior intensidade, a política macroeconômica exigirá medidas de fortalecimento nacional ainda mais profundas e consistentes para combater uma crise cujas consequências poderão ser danosas para o país.
O repetir da vacilação das autoridades econômicas no primeiro trimestre poderá ser desastroso, como indica o resultado negativo do PIB no terceiro trimestre. A dinâmica da economia brasileira – e reconhecer isso é um truísmo – está fortemente ligada ao desempenho da economia mundial. Mas o país tem massa crítica e reservas internas de recursos produtivos (particularmente um mercado interno que ainda precisa, e pode, crescer muito), que acentuam o lado interno, e relativamente autônomo, desse desempenho.
Nessa disputa entre a especulação financeira e o desenvolvimento nacional, o Governo precisa, é certo, demonstrar coragem política para enfrentar a oligarquia financeira, brasileira e internacional.
