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Razão e paixão

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Parece que começamos a acreditar na virtude, a levar a sério a honra e a não ter vergonha de ser honesto, mostrando que a presença da esperança sempre nos leva a alcançar o melhor! Rui Barbosa, aquele mesmo que estava combalido com a corrupção, a desonestidade e a falta de honradez que presenciava, e que disse, ao contrário do que escrevemos acima, que o homem passava a se desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de se ser honesto, se presenciasse o que hoje acontece no Brasil, onde a paixão é substituída pela razão, onde os confrontos entre torcidas organizadas são substituídos pela luta corajosa entre o povo e os representantes da defesa da legalidade, estaria certo de que, sobre a legalidade, sempre imperará, na democracia, a legitimidade de tudo aquilo que proceder do povo, pelo povo e para o povo!

Mesmo que, em todo o protesto, por sua legitimidade, algumas atitudes ilegais de vandalismo, se não encontram razão de ser, pelo menos demonstram que não são meras coincidências, pois retribuem o também vandalismo sempre presente na defesa de uma legalidade, muito mais tirânica do que democrática! E durma-se com um barulho desses! E eu durmo! Durmo consciente de que, agora, nada melhor do que sonharmos com a frase de esperança, de que nada melhor do que um dia depois do outro, na certeza, compassada no dia a dia da democracia brasileira, de que o melhor não demora a acontecer, por tudo que já está acontecendo: povo civilizado, prevalente, não só nas ruas, mas até mesmo dentro dos campos de futebol, a ponto de, olhem só, como diria um Galvão Bueno, admirarem, tranquilos, a belíssima vitória do Brasil sobre o Uruguai, o algoz das esperanças do Mundial de 1950, tirando do Brasil as glórias dos gritos lancinantes de é do Brasil! É do Brasil! É do Brasil!, na falsa esperança de que o mundo seria nosso graças a uma simples bola de futebol!

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Pois mesmo que o mundo seja redondo como uma bola, a razão deve imperar sobre qualquer paixão que manipula a cidadania, pela ausência de educação, de saúde e de segurança, mantida pelos governos discricionários, de direita, de esquerda, com aval das coligações, mantendo essa roubalheira de políticos desonestos, acumpliciados a empresários de licitações, imunes e impunes a uma justiça e a uma lei sempre morosas no tempo, para garantirem as prescrições no espaço da ética e da moralidade! Brasil, campeão, sem paixão! Povo no poder, para ser e para ter!

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