Amanhã celebra-se o Dia do Meio Ambiente. Nessa data, a questão ambiental é colocada em pauta, discutida e lembrada para, na semana seguinte, ser relegada a um plano secundário nos debates que afligem o cotidiano do cidadão comum. Mas o ano de 2013 agrega mais um componente à questão do meio ambiente, do desenvolvimento e dos rumos que a humanidade escolherá na tentativa de se perpetuar: é o Ano Internacional da Água, instituído pela Organização das Nações Unidas.
À primeira vista, pode soar paradoxal discutir as ameaças de escassez de um recurso que cobre 75% da superfície terrestre, mas é importante enfatizar que apenas 2,5% do total da água é doce. Desse percentual, somente uma ínfima parte, da ordem de 1%, é acessível à humanidade, ou melhor, à parte da humanidade, uma vez que a desigual distribuição dos recursos hídricos e o nível de desenvolvimento dos países determinam o acesso à água.
No século XX, a população mundial triplicou, e o consumo de água foi multiplicado por sete. Das atividades humanas que mais demandam água, a agricultura é, de longe, a que mais consome, com cerca de 70% do consumo de água doce no mundo. É irônico que a produção de alimentos pressione tanto os recursos hídricos e não alimente nem dessedente centenas de milhões de pessoas. Não que falte alimento, pelo contrário, produzem-se excedentes. Quem passa fome (ou sede) não passa por falta de alimento (nem de água), mas porque não pode pagar pelos víveres.
A água é um recurso natural renovável, porém finito. A degradação da qualidade da água – através da poluição gerada pelo lançamento de esgoto doméstico, contaminação causada pelo despejo de efluentes industriais, contaminação por agrotóxicos que infiltram no solo e contaminam a água – é um dos mais urgentes problemas deste século, haja vista já existirem no globo regiões hidroconflitivas, ou seja, regiões onde ocorrem tensões entre países pela posse da água. Além disso, aproximadamente metade das terras emersas enfrenta penúria de água, fato que certamente compromete a capacidade de desenvolvimento de muitos países, sobretudo dos mais pobres, e afeta a dignidade de bilhões de seres humanos, impedidos do acesso à água para as atividades mais básicas, como beber, cozinhar e tomar banho.
Lembremos da semana do meio ambiente e do Ano Internacional da Água e façamos uma reflexão sobre nosso papel, na condição de cidadãos, no que tange à gestão dos recursos hídricos, ao consumo consciente, à educação e à cobrança de ações por parte do Poder Público, que tão frequentemente parece se omitir nessa questão, como no caso do Rio Paraibuna, que drena a cidade de Juiz de Fora e hoje, infelizmente, não passa de um esgoto a céu aberto na região central da cidade.
