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Não é, Beatriz Segall?

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Assim caminha a humanidade. Mas caminhar como?! Pelos matos, pelos campos, pelas ruas? Mas como? Se os matos estão sendo desmatados em nome do lucro e da economia? Pelos campos, se os campos estão sendo transformados em pastos, onde os proprietários plantam animais para venderem suas carnes gordas e lucrativas para seus bolsos, ganhando até nas peles vendidas? Mas caminhar pelas ruas… Que crime contra o verbo caminhar…

Como é possível caminhar pelas ruas se elas são exclusividade tirânica dos automóveis, motos, caminhões e outros veículos gigantescos que desafiam a humanidade de caminhantes, que, apressados, tentam ser mais rápidos que os veículos, e são assassinados – quando não suicidas -, de milhares de mortes ao ano, mais do que um Vietnã.

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Ora, caminhantes da humanidade, coitados de nós que temos pernas, mas não andamos, eternos e vaidosos – e preguiçosos -, orgulhosos cadeirantes do asfalto, que temos preguiça de ir a pé ao mercado da esquina, usando o automóvel, enferrujando as pernas e caminhando para um AVC ou um infarto fulminante, às vezes, na direção do veículo, atropelando – aleijando ou matando – apressados transeuntes em seus afazeres e lazeres.

Mas onde deveria caminhar a humanidade? Ora, pelos passeios públicos das cidades, que, de fato, não são públicos, pois as prefeituras cobram dos pobres contribuintes a construção e manutenção dos mesmos, para serem pisados por toda a humanidade. E, com o lavar as mãos das prefeituras, com a indignação dos que pagam o que já pagaram em seus impostos, resta essa imundície, quebrada, informe e escorregadia instituição de morte – não no asfalto assassino: as famigeradas calçadas. Nos tropeções, com qualquer salto – alto ou baixo -, nessas armadilhas cuja responsabilidade de confecção – e manutenção – é das prefeituras, que jogam nos bolsos dos proprietários que moram defronte, quando a responsabilidade maior – financeira, moral e jurídica – é dos órgãos públicos – leia-se municipal, estadual e federal – de qualquer ocorrência acidental – não é, Beatriz Segall? -, devendo as vítimas acionarem um processo de perdas e danos, de toda ordem, contra os responsáveis públicos pelo zelo do bem-estar, da saúde e da segurança daqueles que os empregaram: os cidadãos!

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