Ainda ecoam em nossos ouvidos os sons, e vêm aos nossos olhos os visuais grandiosos da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, que todos nós pudemos testemunhar, ao vivo ou pela mídia. Só ver a multidão de jovens, vindos de centenas de países, movidos pela fé em Jesus Cristo, já é o bastante para encher olhos e corações de esperança. É fácil acreditar em um mundo melhor.
A tradição peregrina da Igreja está viva. O fato de milhões de pessoas se desalojarem remonta às mais caras tradições dos cristãos. Mais além, Abraão, pai de três grandes religiões, Judaísmo, Islã e Cristianismo, iniciou essas tradições deixando sua terra para ir onde Deus o mandava.
É inerente às nossas religiões a desinstalação, o ir ao encontro, ir em missão. Ver nossos jovens seguirem essa tradição encoraja todos a seguir a missão. Também um importante peregrino veio ao encontro dos jovens, confirmando sua (nossa) fé: foi marcante a presença e a mensagem do Bispo de Roma, Francisco, que trouxe a todos seu magistério precioso.
Veio como um Servidor, humilde e simples, trazendo antes de mais nada seu carinho. Um carinho que, como nos ensinou, tem de ser de uma mãe; não escreve cartas, não se manifesta em homilias: toma no colo, aconchega, transmite calor e força. Assim ensina que devemos ser como a Igreja. Não pregou, fez. E todos nós pudemos sentir o carinho dele.
Mandou os jovens saírem às ruas, levando esse Evangelho vivido, buscando justiça e um mundo de mais amor. Recordou aos jovens que eles são o futuro, lembrou a nós mais velhos que somos o repositório da experiência vivida, disse um não sonoro à exclusão que se abate nesses tempos, principalmente sobre jovens e idosos resgatando seu valor.
Mandou a todos, sem distinção, bispos, padres e leigos, que saíssem dos templos e para irem correndo ao mundo, às periferias, levando o Evangelho e Jesus Cristo. Lembrou à nossa Igreja sua vocação missionária.
Foi uma arejada imensa. Impossível não se lembrar de João XXIII e o Vaticano II. Como em Gaudium et Spes, Francisco abriu a Igreja a todos.
Com uma bela missa de envio, renovou o mandado de Jesus, não só aos jovens. Mandou-nos todos que fôssemos pelo mundo anunciar a Boa Nova. Mãos à obra!
