Sempre ouvi afirmativas que diziam que a logística é e será por muito tempo adversária do êxito brasileiro nas importações e até na distribuição interna de produtos. Congestionamentos nas estradas, enormes filas de caminhões nos portos esperando para descarregar, navios parados sem condições de atracar por falta de espaços nos armazéns, falta de ferrovias aptas para transporte de produtos até os portos, péssimas estradas sem conservação e aeroportos ainda inaptos para suportar o peso do progresso.
Esse apagão do desenvolvimento é motivado pelo mercado do dólar, pela falta de mão de obra especializada ou pela falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento do setor industrial. O apagão logístico vem sendo previsto há vários anos pelos especialistas e empresários. A próxima colheita de grãos e oleaginosas, esperada para o próximo ano em 80 milhões de toneladas, sendo 35 milhões só de milho, pode se transformar numa vergonha para o Brasil quando os plantadores de soja tiverem que colher sua safra e não houver espaço para acomodar a produção.
Ao lado das exportações de minério de ferro, o agronegócio continua a dar uma grande contribuição para o saldo comercial do país. Mesmo com as quedas de preços de alguns produtos no semestre passado, o setor manteve um superávit de US$ 79,4 milhões em 12 meses, segundo o Ministério da Agricultura. A logística é o problema mais grave do setor de agronegócio para levar a produção até os mercados nacionais ou do exterior. A quebra da produção nos agronegócios dos Estados Unidos poderia ter sido uma excelente oportunidade para o Brasil entrar para valer naquele mercado, já que esses produtos estão em alta no mercado internacional. As cotações são ótimas para o milho plantado depois da colheita da soja. O inimigo desta performance , no entanto, continua a ser o apagão logístico.
Para o próximo ano, a safra de soja deve ser, segundo as previsões, 10% maior que a atual, mas os empresários já temem dificuldades pela ausência de armazéns. Para complicar ainda mais o problema, temos ainda as greves e as insatisfações dos servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Receita Federal. Além disso, e dos problemas das estradas, deverá ainda faltar caminhões e caminhoneiros para transportar a produção até os centros consumidores e os portos. Um conhecido meu, de Montes Claros, disse que ele não estava conseguindo vender o arroz produzido em Goiás para ser consumido em Minas ou na Bahia por falta de transporte.
Investimentos em hidrovias poderiam melhorar o transporte e o barateamento da produção do Centro-Oeste para os portos da Região Norte, e evitar o difícil e longo trajeto até os terminais do Sudeste e do Sul. Para evitar esse triste apagão logístico é preciso investir, antes de tudo, na capacidade de planejamento, de administração e execução dos projetos. O setor de agronegócio é incompatível com a lerdeza e a incapacidade da máquina federal de resolver esses imbróglios. Felizmente, o Aeroporto Regional Itamar Franco, que brevemente deverá se tornar até internacional, poderá fazer com que Minas Gerais auxilie o Brasil e resolva este angustiante problema. Vamos esperar para ver.
