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Dilma e o mensalão

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Neste momento em que o caso conhecido como mensalão – em que caciques do PT usavam dinheiro ilícito para subornar parlamentares em troca de apoio no Congresso Nacional – está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal, a presidente Dilma Rousseff pode ser a maior beneficiada com o veredito final.

Dilma chegou ao poder, graças, inegavelmente, ao ex-presidente Lula, que, com seu prestígio, cunhou a figura política da atual presidente, dando-lhe notoriedade nacional. Contudo, hoje nossa presidente já caminha por suas próprias pernas e tem altos índices de aprovação – maiores, inclusive, que os do seu antecessor, considerando o mesmo período de governo. Ela já tem aura e alma política próprias e ainda carrega um grande ônus por obrigação e gratidão com seu criador e padrinho. Tem de suportar indicações esdrúxulas para cargos de todos os escalões do Governo, sem critérios técnicos, apenas troca de favores políticos, prática adotada desde sempre em nosso país e que precisa – e um dia vai – acabar. Os cargos públicos devem ser ocupados por concurso público e/ou critérios técnicos.

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Toda sociedade clama pela diminuição da máquina estatal que hoje tem, em seus quadros, mais de 20 mil cargos de confiança, um exagero, um escárnio para a sociedade. Dilma Rousseff, embora timidamente, vem indicando, para os cargos de primeiro e segundo escalão, pessoas com perfil técnico, substituindo gradativamente os indicados pela turma do ex-presidente, que não possuem competência técnica para estar nesses postos, mas, devido a sua obrigação de agradar seu padrinho, ainda engole inúmeras indicações feitas pelo ex-presidente e sua patota.

Dilma pode se beneficiar da decisão do Supremo que, caso julgue culpados os réus do mensalão, estará manchando de vez a imagem política de Lula, diminuindo sua importância no cenário nacional. Com isso, a atual presidente pode se descolar de vez da imagem de Lula e reforçar ainda mais sua liderança, sem depender da influência dele. A partir daí, poderá também terminar a faxina democrática da máquina estatal brasileira, cortando cargos e, principalmente, indicando figuras de perfil técnico para os cargos nevrálgicos de seu governo, o que é essencial para o desenvolvimento do país.

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