O sucesso das redes sociais não é traduzido unicamente pela grande adesão de usuários das mais diversas classes sociais e faixas etárias. É observado também pela quantidade de estudos elaborados em inúmeras áreas, desde estatística à comunicação, com as suas pesquisas sobre levantamento de fundos, o chamado crowdfunding. Por elas, campanhas são promovidas, produtos são vendidos, negócios são fechados e muita informação – checada ou não – circula. O seu poder midiático, no entanto, nem sempre atrai apenas olhares positivos. Em 2011, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, chegou a considerar a interrupção de algumas redes sociais durante os protestos que estavam ocorrendo na Inglaterra naquele ano.
Atualmente, no Brasil, vivemos um momento de grande importância política, no qual as ruas estão sendo tomadas por manifestantes que protestam contra problemas que assolam a nação – fruto da má administração e corrupção dos governantes -, e mais uma vez as redes se fazem presentes, compartilhando imagens, levando notícias às pessoas e servindo de meio para a organização de encontros e manifestações.
Por mais moderna e abrangente que essa maneira de se comunicar – e pensar, como há quem defenda – possa parecer, a máxima examinai tudo, retende o bem vem bem a calhar para que as necessárias críticas não deixem de existir. Uma charge recentemente postada e amplamente compartilhada apresenta leões em 2013 e asnos em 2014 (ano de eleições), fazendo uma clara alusão ao povo brasileiro. É bem verdade que alguns dos candidatos não merecem o voto nem mesmo de seus parentes e amigos mais próximos, mas, em muitos casos, há uma questão tão importante quanto à correta escolha deles, que é a sua fiscalização.
É de se imaginar que os eleitores caracterizados pelos segundos animais mencionados são, para os compartilhadores da charge, as pessoas que votaram em alguém que atualmente é situação, ou alguém diferente do candidato de escolha desse grupo. Importante é lembrar, no entanto, que os candidatos eleitos, dado o regime democrático no qual vivemos, governam não apenas para os seus eleitores, e que isso não desabona o direito de cobrança de todo e qualquer cidadão – mesmo porque ninguém deixa de ser contribuinte pelo fato de seu candidato não ter sido eleito, ou a quantidade de votos nulos aumentaria substancialmente.
Tão importante quanto os leões nas eleições do próximo ano são os leões da fiscalização, os quais acompanham de perto a efetivação das propostas que levaram um determinado candidato a representar a população. Há, portanto, a necessidade de se educar não somente os eleitores, mas também os políticos, o que se faz por meio de protestos pacíficos, mobilização incessante e cobrança via redes sociais, on-line ou não.
