Oportuníssima a reportagem da jornalista Renata Brum publicada na Tribuna. Com a liberação do Aeroporto Internacional da Zona da Mata pela Anac prevista para daqui, no máximo, 20 dias, um velho problema previsto deverá começar. Inicialmente serão só dois voos diários pela Azul. No entanto, logo que começarem a funcionar, três outras empresas, como a Tam e a Gol, também já pedirão licenças para pousos e decolagens ali. O que os famosos ambientalistas locais nem imaginam são os perigos que começarão ocorrer quando começarem também os voos cargueiros capazes de encher algumas carretas. Aí é que o bicho vai pegar de vez.
A tal alternativa de traçado proposta pela UFJF aumentando o percurso em 30km pode até funcionar para carretas e caminhões, mas veículos como automóveis, kombis e pequenas viaturas não estarão dispostos a andar mais essa distância para chegar até o aeroporto internacional, aumentando o percurso total para 80km em vez dos 42 atuais. Disso tenho a certeza. Preferirão como eu ir devagarinho e devagarinho como a letra da música de Martinho da Vila, pela velha estrada construída há mais de 50 anos passando por Grama, atravessando os quebra-molas, e gastando hoje só 40 minutos entre o Centro de Juiz de Fora e o aeroporto internacional. É claro que o tempo será aumentado pelo tráfego até o novo local. Quem mora em Juiz de Fora começará a brigar e a reclamar do prefeito, que não terá nenhuma culpa por isso.
Brasileiro é sempre assim. Gosta de planejar e construir as coisas, como costumamos falar, por impulsos externos. Só quando acontecem desastres com mortes começam a falar que irão resolver os problemas. Enquanto ocorrem estes casos, os teóricos continuarão a reclamar do Governo quando eles é que serão os causadores dos imbróglios públicos. Pobre do Brasil.
