A formação dos leigos é uma dimensão fundamental da missão da Igreja, especialmente porque são eles que vivem cotidianamente nas realidades da família, do trabalho, da educação, da cultura, da economia e da política. O Ensino Social da Igreja, expressão utilizada por Leão XIII na Rerumnovarum e retomada em diferentes momentos do magistério, oferece princípios e critérios para essa presença no mundo, colocando no centro a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a solidariedade, a justiça, a participação social e o cuidado com a criação. Mais do que apresentar soluções práticas ou de aplicação imediata, o ensinamento procura orientar o comportamento dos cristãos diante das realidades concretas da sociedade. Por isso, sua finalidade é contribuir para a formação de consciências capazes de discernir, dialogar e assumir responsabilidades no mundo.
Na política, a presença dos cristãos deve ser compreendida como serviço ao bem comum, e não como tentativa de transformar a Igreja em partido ou utilizar a fé como instrumento de disputa. O Ensino Social da Igreja não determina uma única opção política aos católicos, mas oferece referências para que cada pessoa, com liberdade e responsabilidade, conheça a realidade, considere as propostas, avalie suas consequências e faça suas escolhas de acordo com sua consciência. Essa responsabilidade torna-se ainda mais significativa diante das eleições gerais que se aproximam. Como recordou a Presidência da CNBB, a Igreja não indica candidatos nem partidos, mas, movida pelo Evangelho, promove a vida, a dignidade humana e o bem comum. O voto, portanto, não pode ser reduzido a simpatias pessoais ou paixões políticas: exige atenção ao histórico dos candidatos, às suas propostas e às consequências de seus compromissos para a vida da população, especialmente dos mais vulneráveis. Em uma sociedade marcada pela polarização, pelas fake news, pela corrupção, pela desigualdade e pela violência, o discernimento cristão também exige rejeitar a transformação do adversário político em inimigo e reconhecer que a democracia pressupõe respeito às instituições, às regras do Estado Democrático de Direito e à legítima diversidade de posições.
Formar leigos para a vida pública é, portanto, formar consciências livres e responsáveis. O Ensino Social da Igreja não substitui a consciência do cidadão; ajuda a formá-la. Por isso, a maturidade cristã consiste em participar da vida pública sem transformar o Evangelho em instrumento de dominação política, defendendo convicções sem transformar o diferente em inimigo e colocando a própria liberdade a serviço da dignidade humana, da justiça, da fraternidade e do bem comum. Às vésperas de uma eleição geral importante para os rumos do país, essa responsabilidade não é apenas política: é também ética, social e, para os cristãos, uma expressão concreta de sua própria fé.
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