A cultura do passado é o alicerce do progresso do futuro. Juiz de Fora já foi Atenas! Hoje, virou apenas. Trocou o t pelo p…
Em todo o mundo, desde os exemplos greco-romanos, onde as maiores figuras das elites políticas, econômicas e sociais se uniam no apoio material – leia-se financeiro – aos artistas e entidades paralelas, permitindo a construção das grandes culturas que formaram as obras-primas secularizadas pelo mundo, até a modernidade, nota-se que, aos poucos, os mecenas foram desaparecendo. Inclusive, Andy Warhol, grande artista plástico norte-americano, marchand de si mesmo, fazendo fortuna ao associar sua arte magnífica com a propaganda de grandes firmas mundiais, quando seus colegas lhe perguntaram porque comercializava sua nobre arte, ele respondeu: a arte é um negócio como outro qualquer.
Nem tanto ao mar… nem tanto à terra… Mas que entre Caio Mecenas (68a.C-8 d.C), o primeiro incentivador de artistas e suas obras, até Andy Warhol, que optou pelo negócio artístico, o que lamentamos é que, hoje em dia, o mecenato inteligente foi substituído pelo abandono dos artistas e de suas nobres artes. Estamos em Juiz de Fora, ainda respirando os ares dos mecenas que aqui existiram – Mariano Procópio, Halfeld, Mascarenhas, Procópio Teixeira, Ferreira Lage, Ribeiro de Oliveira, e muitos outros -, que não somente bancaram mecenatos como doaram bens nobres que ainda hoje perduram – esquecidos, escondidos e com muito para mostrar. Nossos políticos e maiores empresários, porém, somente se dedicam às máquinas produtoras de votos nas eleições, ou a parcerias público-privadas, nada a ver com a pureza dessas duvidosas PPPs que não saem do papel.
E voltemos à antiga Juiz de Fora, que foi Manchester Mineira, Princesa de Minas e Atenas Mineira, hoje relegada aos dissabores de elites que a reconhecem apenas – e não mais Atenas – como cidade onde não corre mais o vil metal. E aí está esse magnífico Museu Mariano Procópio, que, se subsidiado por um novo mecenato em JF, incluindo cobranças éticas e morais das firmas estrangeiras aqui sediadas, poderia obter os R$ 7 milhões necessários para sua reabertura como ponto turístico de alto nível histórico, atingido pela tradicional Estrada Real e suas variantes! E o Parque da Lajinha, reestruturado como zoológico ambiental, na modernidade da concepção de preservar nossa fauna! E o Morro do Imperador, à espera de um teleférico ou de um elevador para ligar o Centro à trepidante Cidade Alta! E os lindos prédios dos colégios tradicionais – vide Santa Catarina, Academia de Comércio e Granbery -, também agendados como pontos turísticos, para moralizar o próprio ensino!
Não há melhor exemplo para o que é chamado público do que as elites éticas, inteligentes e trabalhadoras descortinarem com seus olhos sempre voltados para o lucro político, econômico e financeiro, o famoso welfare da pátria de Lincoln, mostrando que democracia é Governo do povo, pelo povo e para o povo, e não, como tem sido no Brasil, povo do Governo, pelo Governo e para o Governo! Juiz de Fora está traindo a grandiosa construção do seu futuro ao não preservar os alicerces da nobreza de seu passado. Que apareçam novos mecenas!
