A frase pronunciada há quase um século pelo presidente Artur Bernardes, e tantas vezes repetida durante todo esse tempo, traz em si uma ideia de força, que deveria ser um sério compromisso dos brasileiros, principalmente de Minas Gerais: “o minério não dá duas safras”.
Acontece que a exploração mineral, a cada dia, se dá de forma mais predatória, e poucas vozes de menor força têm se levantado na defesa de nossa maior riqueza. A exploração está entregue, quase que totalmente, a empresas descompromissadas com o respeito ao nosso meio ambiente. A maior delas, a Vale do Rio Doce, envenenou o rio recentemente.
Não é por falta de denúncias. Ainda agora, na campanha eleitoral do ano passado, como candidato a governador de Minas, numa eleição na qual não tinha a menor condição de eleição, por falta de recursos financeiros, usei de todo o pequeno tempo que tinha disponível nos meios de comunicação – rádio, jornal e TV – para denunciar o crime que se pratica contra nosso território. Este foi o tema preferencial da modesta campanha. Apresentamos dados constrangedores sobre a exploração do minério, principalmente, o ferro e o nióbio. Chegamos a defender a necessidade da criação de uma grande empresa em PPP, uma “Ferrobras”, nos moldes da Petrobras, para agregar valor, inclusive mão de obra nacional, ao minério exportado por pouco mais que nada.
Esta atividade predatória, repetimos sempre, há séculos, tem retirado a riqueza mineral – ouro, diamante, ferro, nióbio – do solo mineiro, sem qualquer recompensa razoável. Já os inconfidentes, inconformados com a “derrama”, não se submeteram à espoliação. Tiradentes foi para a forca, e muitos de seus companheiros tiveram que sofrer com prisões e exílio, por não aceitarem o “roubo”. Os governantes e os poderosos não têm ouvido o clamor dos que estão fora do poder.
Minas Gerais, berço da independência, festejada e cantada por poetas e sonhadores, está deixando de ser “as alterosas” para se transformar em “esburacadas terras mineiras”. Além das crateras, está cheia de barragens de decantação de rejeitos das mineradoras, sem qualquer segurança para as populações periféricas. Vejam, agora, a catástrofe irrecuperável de Mariana, bem próxima de Ouro Preto, berço dos inconfidentes. Quousque tandem, Catilina!
