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CUSTO DA VIDA

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Sob o olhar das autoridades públicas, o número de homicídios em Juiz de Fora, que no dia 30 empatou com o do ano passado – 139 -, é sinal de avanço nas ações da segurança, uma vez que ficou estagnado. Na visão das ruas, ainda há um longo caminho pela frente, já que a cidade, a despeito de estatísticas mais perversas em outros centros, apresentou em 2014 um expressivo número de crimes consumados contra a vida. De fato, a cidade viveu um ano pródigo em discussões, sobretudo com a criação do Fórum de Segurança Pública, mas é preciso ir adiante, a fim de reverter tais dados. Há uma geração em risco, e isso precisa ser considerado.

De dez anos para cá, Juiz de Fora passou a viver um ciclo atípico, no qual os enfrentamentos ganharam o viés de conflitos de identidade, com grupos se estranhando pelo simples fato de serem de outras regiões. Nesse jogo de pertencimento, partiu-se para a violência. É fato que galeras se enfrentam há anos, mas o trágico desse enredo é o desfecho. Se em outros tempos as diferenças eram tiradas no braço, hoje o emprego de armas tornou-se rotina. A vida tornou-se banal. Daí a maioria das vítimas e autores desses 139 casos ficar na faixa dos 16 aos 29 anos.

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A Tribuna tem defendido a implantação do programa “Fica vivo”, experiência exitosa de combate aos homicídios em algumas regiões, mas considera que tê-lo como única alternativa seria ter uma visão rasa do problema. A velha receita de investir na educação e nas famílias continua sendo a mais adequada, já que o perfil dos envolvidos aponta para esse viés. Boa parte desconhece regras básicas de convivência, fruto de lares desestruturados pela tragédia social. Outros, por agirem como donos das ruas.

A outra ponta está nas drogas. O tráfico investe na guerra urbana sem fim, pelo controle de territórios, nos quais o inimigo não é apenas o estado, mas também outros grupos. Numa situação como essa, a vida vale muito pouco.

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