Uma das primeiras preocupações dos chamados atletas de ponta, quando da assinatura de contratos, é o direito de imagem, uma vez que são os atores do espetáculo distribuído pelas emissoras de televisão e pela internet. É justo, mas eles também deveriam estar atentos à imagem que passam para o público, uma vez que, mesmo involuntariamente, são formadores de opinião. Dessa forma, quando são flagrados em situações constrangedoras, como ocorreu com o jogador Adriano, é preciso avaliar a sua postura. Pelas investigações, ele não tinha qualquer envolvimento com o disparo de arma que atingiu o dedo de uma das acompanhantes, dentro de seu carro, mas, durante uma semana, ele esteve na mídia deixando dúvidas para o honorável público.
O caso, no entanto, como já estão praticamente esgotadas as investigações, pode ser deixado para trás, mas não se deve fazer o mesmo com outro atleta do primeiro time. As redes sociais postaram ontem uma foto do jogador Cléber portando uma arma na mão e outra na cintura, ao lado de dois amigos na mesma situação. Seu empresário garante que ele estava em um estande de tiro, não vendo, pois, qualquer ato ilícito de seu cliente. Trata-se, porém, de uma situação em que o mérito não é se ele estava ou não em um lugar adequado para portar arma, mas o símbolo que passa para os seus seguidores.
Em um momento em que o Governo prorroga a campanha de recolhimento de arma – como uma das formas de combate à violência -, o gesto do atacante vem pela contramão.
Haverá sempre quem veja coparticipação da mídia ao mostrar tais cenas, mas é um contrassenso. Pessoas públicas, como jogadores, políticos, artistas e correlatos, estão sob vigília permanente do olhar das ruas, devendo, pois, tomar cuidado em suas ações, mesmo sob o sagrado direito de privacidade. O problema é que seus gestos, em boa parte das vezes, ganham seguidores, como ocorreu no corte de cabelo do jogador Neymar ou na migração da violência dos tatames para as ruas, nas noites de sábado e de domingo das metrópoles.
