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VIÉS ECONÔMICO

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Em 1992, quando enfrentava o presidente George Bush (o pai), acusado de gastos excessivos com a guerra do Golfo, o candidato democrata, Bill Clinton, respondia de modo prosaico quando questionado sobre qual era a sua arma para ganhar as eleições: é a economia, estúpido. E ganhou. Não fazia um ingênuo raciocínio da importância desse fator na política. Quando a economia vai bem, a democracia funciona melhor, e a oposição pena. Quando há declínios, as instituições ficam instáveis, e a oposição ganha espaço. Tem sido assim ao curso dos tempos e não é inédito nem mesmo no Brasil. Tal situação é visível, sobretudo, em eleições, como a que ora terminou. De acordo com analistas, como André Singer e Melchiades Filho, citados ontem pelo articulista da Folha, Hélio Schwartsman, o baixo dinamismo econômico dos últimos anos contribuiu decisivamente para que as oposições locais derrotassem os candidatos situacionistas.

Essa observação serve de bússola para discussões futuras em torno da sucessão presidencial. A presidente Dilma, em função do dinamismo econômico, que sobreviveu à crise de 2008, chegou ao poder pelas mãos do então presidente Lula e vai disputar a reeleição sob esse viés. Se os números continuarem positivos, será um páreo duro para qualquer candidato de oposição, seja ele Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB), mesmo ancorados no discurso do novo. Se, por outro lado, os números começarem a capengar, a situação se inverte.

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É fato, porém, que existem outras circunstâncias, mas é necessário considerar que a política não se fará positiva apenas na reforma tão necessária, mas também na manutenção da economia aquecida, que fez uma das maiores migrações internas entre as classes sociais. A ascensão, especialmente da classe C, reflete diretamente na campanha e se mostra nos resultados, mas nada impede que as regras sejam mudadas em questões importantes, como o financiamento público de campanha e maior controle da ficha dos candidatos. Com essas questões sanadas e a economia firme, o país estará muito bem.

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