A despeito das comemorações, depois da divulgação dos índices de desenvolvimento, a educação, mesmo esta também melhorando sua performance, continua sendo o principal gargalo do país, comprometendo o crescimento, por ser um dado estratégico em todas as avaliações. O Sudeste, embora com uma performance abaixo do Norte e Nordeste nesse quesito, ainda continua em melhor situação, o que não chega a ser novidade, pois acumula pontos de outros períodos. O país melhorou, e é possível fazer essa constatação no dia a dia, mas a educação ainda acumula um passivo que aponta para o aumento dos investimentos, inclusive os de longo prazo.
Quando se enfatiza esse viés, é necessário considerar que os resultados costumam aparecer décadas depois, como ocorreu com os chamados tigres asiáticos. Só agora, na última década, começaram a colher os frutos de aplicações em larga escala nesse setor. No caso brasileiro, as evidências são claras ao indicar que só dessa forma será possível reverter os diversos gargalos de um país com pretensões de primeiro mundo. A corrupção, a violência e outras mazelas são comuns em regiões onde a educação é substituída por outros valores. Ainda ecoando as palavras do Papa Francisco, é preciso estar atento as muitas tentações da modernidade, a começar pelo consumo desenfreado, que vai além das necessidades.
E é nos jovens e nas crianças que o investimento deve ser maior, a fim de garantir, sobretudo para eles, um espaço no cada vez mais competitivo mercado de trabalho. Não basta o diploma, pois os meios de seleção vão além dos papéis, dando ênfase ao conhecimento. E este só se adquire com uma cultura de educação, na qual o incentivo começa em casa e passa pelo ciclo escolar. Neste aspecto, é estratégico também apostar na formação dos professores, que hoje atuam mais por vocação do que por ação das instâncias políticas. Nas regiões mais carentes, manter crianças e adolescentes fora da escola é uma estratégia de preservar poder, como faziam os velhos coronéis.
