Se as demais empresas de transporte público também forem levadas em conta, os números, certamente, serão bem mais expressivos, mas não deixa de ser grave o registro de 11 depredações de ônibus, num só mês e de uma mesma empresa, como revelou a Tribuna na sua edição de sexta-feira. A Viação Santa Luzia – uma das maiores da cidade – ainda contabiliza o prejuízo, mas sabe que será alto por causa dos atos de vandalismo. O mais recente foi registrado na quarta-feira, quando um bando cercou o coletivo no Bairro Previdenciários e quebrou oito vidros, ferindo ainda dois adolescentes.
Discutir as causas é fundamental, pois não se trata de leniência da polícia, que não tem meios de evitar tais ocorrências. Elas surgem do nada e a qualquer tempo, bastando motivação dos líderes, sobretudo quando dentro do coletivo está alguém estranho ao território. O protesto não é contra a qualidade do serviço ou pelo preço das tarifas, e sim por razões que vão desde o pertencimento até o puro desejo de depredar.
Com vários pontos loteados por gangues, a cidade vive um problema peculiar. Se um passageiro pertence a outro bairro e não tiver autorização, as galeras, sem se preocuparem com os riscos para terceiros, não titubeiam em tomar como pessoal a afronta de entrar na seara alheia. Desta forma, depredam os veículos, mesmo sabendo que o dano afetará a própria comunidade da qual fazem parte.
Trata-se do típico processo no qual a conta cai sobre o ombro de quem também é vítima, pois à medida que o território passa a ter donos, a população também se torna refém.
