Os confrontos sucessivos envolvendo jovens em Juiz de Fora, elevando perigosamente os índices de homicídios, sobretudo na Zona Norte, estão se caracterizando pela máxima que afirma que toda ação é seguida por uma reação. Mas também pode se mudar para outro plano e dizer que os envolvidos estão praticando uma versão moderna da Lei de Talião, retaliando os inimigos na mesma proporção de seus atos.
Tais ocorrências, ora entrando num ciclo rotineiro, sobretudo nos fins de semana, não se esgotam mais na instância policial, carecendo de uma avaliação mais profunda sobre suas causas. Só se sabendo a origem será possível dar fim a esses enfrentamentos. Como a maioria dos envolvidos é inimputável, as ações do Estado se restringem ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê punições, mas limitadas a apenas três anos, com possível prorrogação por um período idêntico. Uma das queixas recorrentes se situa exatamente neste ponto: a polícia prende, mas o ECA solta. Trata-se, porém, de uma posição controversa, mas passível de discussão.
O mais grave é o fácil acesso às armas. Como esses jovens, com menos de 18 anos e ainda sem uma completa formação para garantir avaliações seguras sobre danos e consequências, conseguem adquirir armamentos? Os últimos casos foram decorrentes de armas de fogo. As gangues sempre têm um braço armado que se manifesta nos confrontos.
Depois de a sociedade ter optado por não proibir a comercialização de armas, o problema se agravou, sobretudo fora da instância legal. Comprar um revólver é um ato simples, como o de ir a um mercado. Só que o uso tem sido letal, interrompendo vidas que estão apenas no seu começo, arrasando famílias, tanto das vítimas quanto dos autores.
