Ícone do site Tribuna de Minas

O novo normal e as suas consequências, o alerta da Organização Mundial da Saúde

editorial
PUBLICIDADE

No último domingo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de 1.300 mortes adicionais foram registradas na Europa desde 21 de junho por causa da onda de calor sem precedentes que assola grande parte do continente. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou no X que, “neste momento, 150 milhões de pessoas vivem sob um calor extremo, centenas morreram, escolas estão fechadas e as redes elétricas estão em colapso”. O maior contingente de vítimas se situa acima dos 65 anos.

Embora o El Niño tenha se estabelecido oficialmente apenas agora (com os dados do Oceano Pacífico confirmando a transição em junho de 2026), o sistema climático global já vem acumulando energia recorde há meses. A combinação desse fenômeno em intensificação com o aquecimento global estrutural está gerando um cenário de extremos climáticos simultâneos e severos nos dois hemisférios.

PUBLICIDADE

Em 2024, o Hemisfério Norte viveu a maior onda de calor da história, com temperaturas médias acima do limite crítico de 1,5 °C durante todo o verão. Para este ano, as projeções já se tornaram realidade ainda na primeira quinzena da estação. Shows foram cancelados, a venda de bebida alcoólica foi restringida – para evitar sobrecarga nos hospitais – e o debate sobre o uso do ar-condicionado voltou à agenda.

Antes desse novo normal, o continente sempre se preocupou com aquecedores, e a maioria dos prédios, agora, precisa de adaptações para a instalação de equipamentos, o que nem sempre é fácil, como em Paris, onde a maioria dos prédios tem viés histórico e não há autorização para mudanças.

O El Niño é um dado real e suas consequências são inversas no Cone Sul. Enquanto o Norte ferve, os invernos serão mais úmidos e levemente quentes na maior parte do Brasil, mas as massas de ar polar serão mais frequentes. O Sul e o Sudeste brasileiro registraram algumas das menores temperaturas do ano. Cidades em Santa Catarina e em Minas Gerais (como Delfim Moreira, com -3 °C) tiveram geadas amplas, o que afeta diretamente pastagens e a produção agrícola local.

O descontrole do clima, porém, não se situa apenas nos polos de temperatura. As chuvas serão mais intensas e as secas mais prolongadas, o que leva a sociedade a discutir medidas para enfrentar tais mudanças.

PUBLICIDADE

Juiz de Fora tem na memória a tragédia de 23 de fevereiro, quando 66 pessoas morreram e mais de mil ficaram desalojadas. Vários fóruns de discussão estão em curso – o que é positivo – em busca de alternativas para esse cenário que será cada vez mais comum pelo mundo afora.

Por isso, a interação entre sociedade e governos é prioritária, pois, enquanto a população apresenta suas demandas, as instâncias de poder devem se debruçar sobre propostas que mitiguem os danos e, sobretudo, pela ótica da prevenção, garantam as estruturas necessárias para evitá-los.

PUBLICIDADE

 

 

Sair da versão mobile