Os recentes números apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral são emblemáticos. Os partidos já não fazem mais a cabeça dos jovens, especialmente os de 16 a 18 anos, que têm o direito de escolher se votam ou não e que estão se afastando das legendas tradicionais. Na edição de domingo, o matutino “O Globo” ouviu lideranças políticas e estudantis, além de cientistas políticos, para tentar entender o fenômeno. A conclusão inicial é boa: os jovens não estão se afastando da militância. A má notícia é para os partidos: eles estão migrando para as redes sociais.
Pelas contas do TSE, partidos tradicionais chegaram a perder até 51% dos jovens filiados, boa parte deles por desencanto e outra por não ver nas legendas a representação ideal. O ex-presidente Lula, perto de fazer 70 anos, foi um dos primeiros a perceber o fenômeno, quando disse que o PT estava ficando velho. Ele falou para o público interno, mas suas observações servem também para os partidos da oposição, que, a despeito do momento, não conseguem cativar a juventude.
Mas não é por falta de aviso. Nos eventos de 2013, quando o povo, especialmente os jovens, foi às ruas, os partidos foram rejeitados sob o discurso de “você não me representa”. Mesmo assim, pouco fizeram para virar o jogo, preferindo continuar na sonolência dos velhos cardeais e acomodação de seus seguidores. A reforma política, que poderia oxigenar a vida partidária, não saiu do papel, prevalecendo as mesmas práticas que induziram à rejeição.
Os líderes partidários também não perceberam que os tempos mudaram e que as redes sociais mobilizam mais do que comícios. Mas quem perde é o próprio país, pois os partidos, a despeito de todas as críticas, são o canal ideal para levar a mudanças. Mas estes precisam, antes de tudo, fazer suas próprias mudanças.
