Caminhões de pequeno porte e até mesmo carroças em vias urbanas são quase inevitáveis pelo trabalho que prestam, mas nem por isso o seu trânsito deve ser deixado em segundo plano. O número de acidentes envolvendo tais veículos é preocupante, embora não tenha tantas vítimas fatais, por conta do risco que geram para a comunidade. No último sábado, 30 segundos definiram a vida de uma idosa que saiu da sala antes da invasão de um caminhão desgovernado.
Juiz de Fora tem leis restritivas para os veículos de maior porte, mas a questão central envolvendo os demais não é nem mesmo a elaboração de novas leis, mas a fiscalização, sobretudo pelo fato de a cidade ter uma topografia comprometida, que exige mais dos veículos. Desta forma, cobrar dos proprietários maior zelo não deve ser apenas rotina dos departamentos de trânsito em vistorias sazonais, mas da própria cidade, a fim de evitar tais transtornos. É fato que se trata, na maioria das vezes, de legislação federal, mas é aí que deve entrar a criatividade do legislador em encontrar brechas para o controle local.
Os problemas, aliás, são quase sempre os mesmos: pneus carecas e freios desgastados. Estes dois fatores, no entanto, são suficientes para provocar graves acidentes. Ainda este ano, um veículo com defeito, em plena Rua Marechal Deodoro, destravou a marcha e, de ré, atingiu outros quatro carros à sua traseira. Como a Tribuna apontou, só este ano, 246 ocorrências foram registradas. Os números, portanto, não podem ser desconsiderados.
Os próprios agentes de trânsito são capazes de fazer esse controle sem ultrapassar a linha da legalidade, desde que exijam documentação em dia e verifiquem as condições externas dos carros. Mais do que isso, porém, é cobrar capacitação dos profissionais, pois é impossível admitir uma pessoa assumir o volante sem saber em que condições se encontra o veículo em que vai trabalhar. Afinal, ele pode ser a primeira vítima dessa leniência.
