No encontro de dados que o Governo passará a fazer, se for levada adiante a proposta de plena integração das polícias, como defende o ministro José Eduardo Cardoso, é possível verificar que o tráfico de drogas e de armas deve ser combatido com prioridade. Um relatório oficial e detalhado das forças de segurança que atuaram no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, no Rio – diz o jornal O Globo -, revela que, das 289 armas apreendidas nestas localidades, 172 delas são de uso restrito de militares e de policiais. Duzentas e vinte e duas são de fabricação estrangeira.
Estes dados confirmam uma declaração do ministro ao dizer que as fronteiras não são impermeáveis. E, de fato, não são. São porosas. O Brasil, com uma vasta fronteira terrestre a oeste e mar aberto pelo leste, é um oásis para o tráfico, que aproveita ainda as deficiências de material e de pessoal das polícias de fronteira. O efetivo não corresponde aos pontos de vigilância, e os equipamentos são, de longe, defasados em relação aos utilizados pelos bandidos.
Na luta contra a violência – a maior parte induzida pelo tráfico -, o Governo tem que levar adiante um ousado projeto de integração. Ele, aliás, não é novo, mas sua execução continua sendo um problema, pois nem todos os estados participam, ou têm bancos de dados precários. O trabalho nas fronteiras inexiste, formando, assim, um cenário próprio para a criminalidade.
Enquanto a torneira não for fechada, serão em vão as operações internas de desarmamento, pois o fornecimento continuará ativo. Desde 2005, está em curso uma campanha para retirada das armas, mas os resultados, mesmo diante de louváveis esforços, têm sido apenas razoáveis, enquanto a escalada da violência se mantém ascendente.
