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NA CORDA BAMBA

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O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), ex-delegado de polícia e procurador aposentado, tem dito a amigos que está politicamente morto, mas não tem a pretensão de renunciar ao cargo em face das investigações sobre suas relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Em matéria publicada pela Folha de São Paulo, ele teria dito ainda que ocorreu um vazamento deliberado de suas conversas com o contraventor, com o intuito de tirar o foco de outros políticos envolvidos.

É grave a observação, sobretudo por ocorrer num momento em que o mandato do parlamentar não vale um fio. Antigo inquisidor do Senado, não dando espaço para políticos acusados de ilícitos, o senador por Goiás ainda enfrenta outras denúncias, como a que foi divulgada pelo Jornal Nacional, associando-o a negócios da ordem de R$ 3 milhões.

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A situação é crítica e emblemática. A justificada pressão contra o senador não tem a mesma intensidade em outros casos, nos quais também há suspeitas de irregularidades. Ele não é nem será o último parlamentar sob o crivo, agora, da opinião pública, embora muitos passem ilesos por um longo período. O Conselho de Ética, a quem deve caber o papel de julgar Demóstenes, tem sido pródigo em corporativismo, liberando notórios infratores sob o surrado argumento de falta de provas.

A Ficha Limpa, mais do que nunca, será um fator a mais para depurar a vida pública antes das eleições, mas de nada adiantará se os partidos continuarem com a máxima de os fins justificando os meios para formar suas chapas de candidatos. Se nada for feito já nas convenções, outros políticos estarão na mesma situação que o senador do DEM.

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