A questão do mapeamento do solo de Juiz de Fora, que a Tribuna colocou na pauta de discussão na edição de ontem, se impõe como uma demanda importante, uma vez que é preciso, sobretudo para facilitar ações, conhecer o que há por baixo da área urbana. Como a matéria apontou, várias medidas já estão sendo tomadas, a fim de evitar danos ao próprio patrimônio. Com o avanço tecnológico, é possível fazer prospecções sem riscos, longe de outros tempos, quando boa parte das iniciativas tinha por base a especulação. E nem se trata de uma crítica ao passado, pois quem fez em outros tempos agiu de acordo com o possível de sua época. Como agora é possível mapear, não há vantagem sobre quem fez primeiro, e sim o uso do que se tem em mãos.
Com uma topografia comprometida por montanhas, a cidade exige avaliações sistemáticas não só do subsolo, mas também de suas encostas, algo que o Governo garante que já está em curso. E é uma medida necessária. A tragédia da Região Serrana, no ano passado, serviu de alerta para os riscos, apontando que a falta de previsão coloca a população em perigo. Quem poderia imaginar a força das águas, que arrastou toneladas de barro para a área urbana e ceifou centenas de vidas? Durante muito tempo, a natureza foi objeto de contemplação, passando, em outro período, como espaço de uso, e foi aí que começou o problema, pois, mesmo tirando o necessário proveito, o homem desconheceu os danos que poderia provocar.
O que hoje se exige são medidas que facilitem o uso da natureza sem comprometê-la. Mapear o solo evita problemas na reconstrução de redes, prejuízos financeiros e até de tempo. Ao se antecipar aos fatos, garante-se a segurança da população. As águas estão chegando, e é preciso estar pronto para esse período.
