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TORRE DE BABEL

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Os políticos viram os protestos lançarem o bordão ‘sem partidos’ e devem ter entendido que o povo defende cem partidos no país. A frase do deputado Júlio Delgado (PSB), ontem, na Folha de S. Paulo, vai além da ironia e se torna uma grave constatação. A criação de dois partidos – PROS e Solidariedade -, já autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, é um passo atrás, a despeito dos argumentos de seus defensores, como a criação de novos espaços ideológicos. Tal assertiva se desmonta pelos próprios fatos. O mesmo jornal denuncia que as novas legendas prometem recursos para os deputados que assinarem suas fichas de adesão, como se fosse um negócio. Bom negócio, aliás.

Com 32 legendas, o Congresso Nacional tornou-se uma Torre de Babel, na qual as siglas funcionam como corporações de interesses próprios, sem se importarem com o sentimento popular, que já deu as caras nas ruas nos meses de julho e agosto, cobrando mudanças. A cláusula de barreira, instrumento que limitaria o número de partidos, esbarrou na própria Justiça Eleitoral, embora fosse um sentimento coletivo. Boa parte das legendas funciona, sobretudo, em períodos eleitorais, quando elas se transformam em balcões de interesses. São meros títulos que têm dono e nem sempre um endereço formal, mas que abrigam candidaturas ora rejeitadas por outras legendas ou que estão no excesso de nomes exigidos pela legislação.

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Se chamado a apontar o nome dos partidos, o eleitor, certamente, vai indicar três ou quatro, não indo além, tal a pluralidade ideológica do Parlamento brasileiro, que se estende para as assembleias legislativas e câmaras municipais.

O grave é a ausência de interesse dos próprios parlamentares em mudar o jogo. A reforma, ora em gestação no Congresso, não contempla essa mudança, pois os políticos, certamente, não têm disposição de atirar no próprio pé, uma vez que, salvo as honrosas exceções, a maioria, de uma forma ou de outra, se beneficia desse artifício.

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