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VOTO PRAGMÁTICO

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Os ministros do Supremo Tribunal Federal reagiram com indignação às declarações da corregedora Eliana Calmon, quando esta disse que, no processo do mensalão, o STF também estaria sendo julgado ao olhar da opinião pública. Argumentaram que vão tratar o caso tecnicamente, distante do viés político, que extrapola as paredes da corte e chega aos palanques da campanha eleitoral. E é o que se espera, embora seja pouco provável uma visão eminentemente focada nos autos, quando os réus estão ao relento há mais de sete anos.

É necessário, porém, destacar que não foram os ministros que politizaram o julgamento. Se há responsáveis, eles estão nas próprias legendas, que passaram estes últimos e longos anos num jogo de defesa e ataque focado exclusivamente em razões políticas. Agora, os próprios réus, numa estranha tática de defesa, também se atacam, complicando ainda mais as expectativas das ruas, e é claro que os ministros, mesmo tecnicamente, não são surdos ante o que está sendo dito fora do tribunal.

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A questão é saber quanto tempo levará o julgamento e o grau de contaminação do pleito municipal. Embora as lideranças tendam a dizer que a nacionalização da campanha traz o mensalão junto, os candidatos devem ficar atentos – sobretudo em cidades de pequeno e médio porte: o eleitor, em grande parte, é pragmático, mais interessado nas demandas de sua rua ou de seu bairro do que com o que ocorre fora das suas fronteiras, divorciado do viés ideológico. Não é o ideal, mas é o que pesa na hora do voto.

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