Os cenários e a cultura são distintos, mas é possível, para efeito de análise, comparar os dilemas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e da presidente brasileira, Dilma Rousseff. O primeiro corre contra o tempo para aprovar um grande pacote de corte de gastos públicos e de contenção do déficit diante de um Congresso hostil, de maioria republicana, mesmo tendo a prerrogativa de tomar as decisões por decreto. A presidente está de vassoura à mão fazendo uma faxina no Ministério dos Transportes. Quarta-feira caiu mais um dirigente do Dnit, elevando para 20 a lista dos demitidos.
O que há em comum entre eles, ou de tão diferente? Obama, mesmo com uma oposição que não abre mão de princípios liberais, não usa e nem tem meios de adotar o velho modo brasileiro do é dando que se recebe. Os republicanos fazem uma oposição ideológica e não dão margem para esse tipo de negociação, na qual você me apoia e eu te dou um cargo no Governo, formando maiorias instáveis e de balcão. Ao mesmo tempo, não utiliza similares de medidas provisórias para aprovar o seu pacote.
Respeitadas as diferenças e sem fazer qualquer juízo de valor sobre quem é melhor, é possível, porém, aferir que enfrentar adversários ideológicos, embora bem mais incômodo, soa mais democrático. O drama da presidente, e pelo qual também passaram seus antecessores, é a necessidade de acordos distantes do viés ideológico – ausente na maioria das legendas – e pautados apenas em negócios. O resultado é visível no dia a dia da política brasileira, como ora se percebe no Ministério dos Transportes, loteado pelos aliados e foco de corrupção generalizada.
Culturalmente, o Brasil está distante do que se vê nos EUA, mas seria mais cômodo para os eleitores votarem em políticos que trabalham por uma causa e não por causa própria, como é comum nos bastidores de Brasília.
