O tempo vai passando, e o Congresso continua emperrado na discussão da reforma política, sem prazo para chegar ao plenário. Num universo de mais de 30 partidos, cada um tem um projeto próprio, tornando o consenso uma peça de ficção. Desta forma, não se sabe o que sairá da comissão especial e, muito menos, se há prazos para uma mudança que já possa ser testada em 2016. Sabe-se, por experiência, que Câmara e Senado, a despeito de proclamarem sua independência e de esta estar escrita na Constituição, só funcionam se pressionados pelo poder de agenda do Executivo. Como este anda fragilizado e não tem proposta própria – salvo o plebiscito -, há o risco de tudo terminar num grande fracasso.
Há propostas pontuais, como o distritão do PMDB de Michel Temer e o distrital do PSDB, mas até mesmo esses projetos esbarram no jogo de interesse que ocupa os bastidores do Parlamento. No caso do distritão, que estabelece a eleição dos mais votados, as críticas se situam no possível elitismo que resultará, já que apenas os candidatos de maior poder aquisitivo e líderes de legenda terão meios de se elegerem. O distrital esbarra na forma como será feita a distribuição dos distritos. Os demais pontos, como financiamento público de campanha, cláusula de desempenho, entre outros, sumiram da pauta.
O lado perverso desse enredo é que, mais uma vez, se perde a oportunidade para implementar uma mudança que todos entendem ser necessária. O atual modelo está vencido pelo tempo, permitindo fazer dos financiamentos a matriz da corrupção. Ademais, o excessivo número de legendas não significa, necessariamente, representatividade e, sim, o bom negócio que virou ser “dono de partido”, sobretudo em períodos eleitorais, quando o tempo de TV e os repasses fazem desse processo um grande balcão.
