A execução de um vendedor ambulante em plena luz do dia no Largo do Riachuelo, no último dia 17, jogou luz sobre a situação da região e aumentou o medo das pessoas em relação àquela área. A polícia já concluiu o inquérito sobre o crime brutal, mas a população quer mais do que resposta isolada para este caso. É o que mostra a Tribuna deste domingo. Uma equipe do jornal passou a madrugada na área e encontrou, de um lado, uma região tomada pelo tráfico de drogas e pela prostituição, e, de outro, moradores do entorno acuados e inseguros.
Foi preciso a situação ultrapassar o limite com o assassinato de um camelô conhecido na região em plena luz do dia para que a comunidade expusesse o medo que vinha sendo represado há anos, já que a degradação da área não aconteceu de uma hora para a outra, mas veio num crescendo, sendo resultado do abandono e do esquecimento.
Antes que os ânimos se arrefeçam diante da morte trágica, a comunidade busca suporte na opinião pública para que a realidade seja mudada, mas é necessário que principalmente as autoridades ouçam as reivindicações de moradores e tomem atitudes diante das denúncias de que a vizinhança está privada até mesmo de serviços públicos por causa da violência.
Agir significa não só criar políticas públicas na área de segurança, mas políticas de curto e longo prazo envolvendo a juventude, que tem perdido a luta para as drogas, principalmente o crack. Neste momento, é mister reconhecer a necessidade de dar maior atenção ao Largo do Riachuelo, que já foi e ainda é palco de importantes manifestações artísticas, políticas e culturais e que abriga casarões que são parte da história da cidade.
Entendemos que, para que seja profícuo, o trabalho precisa ser contínuo e que envolva uma melhor iluminação da área, reurbanização, comprometimento da sociedade e de comerciantes e ação conjunta com as polícias, que devem agir preventivamente, não apenas em momentos de tensão, como agora.
